segunda-feira, 16 de maio de 2011

18 DE MAIO: DIA NACIONAL DE LUTA ANTIMANICOMIAL - 2011

Com um formato inusitado de Escola de Samba, a Liberdade Ainda que Tam, Tam, por 14 anos consecutivos, sai às ruas do centro de Belo Horizonte para:

- Comemorar o 18 de maio – Dia Nacional de Luta Antimanicomial,

- Chamar a atenção de toda a população para a luta contra o preconceito às pessoas em sofrimento mental,

- Propor e defender o fim dos hospitais psiquiátricos e a sua substituição por serviços abertos, públicos, de qualidade, que garantam o tratamento em liberdade e os direitos de cidadania a esta clientela, historicamente excluída da sociedade.

- Defender a Reforma Psiquiátrica Antimanicomial

Nesse ano de 2011, o 18 de Maio será a comemoração/celebração dos cinqüenta anos do livro A História da Loucura na Idade Clássica, lançado em 1961, na França,no qual localizamos os subsídios teóricos para os princípios da nossa luta. Seu autor é Paul-Michel Foucault, filósofo francês (1926-1984), um pensador insubmisso de nosso tempo.

Daí o tema do desfile deste ano: “HISTÓRIAS DA LOUCURA: MICHEL TAMBÉM CONTOU!” Esse exercício coletivo de pensamento possibilitou também nos reconhecermos continuadores da narrativa de Foucault na construção viva de novos capítulos da história da loucura. Os sub-temas a seguir compõem e organizam a seqüencia do enredo, com a Escola de Samba evoluindo com as seguintes alas:

1ª ala: “ENTREI DE GAIATO NO NAVIO”: refere-se à loucura antes de sua reclusão. Na Idade Média, nada de prisão ou hospital para os loucos. Ele vivia solto, errante, expulso das cidades às vezes, vagava pelos campos ou era entregue a comerciantes e marinheiros. São dessa época as embarcações denominadas Nau dos Insensatos que levavam os loucos de uma cidade a outra na Europa, por onde corriam os rios.

2ª ala:NO JARDIM DAS DELÍCIAS, O LOUCO É REI!”: discorrerá sobre a experiência da loucura, tão bem retratada na obra “O Jardim das Delícias” de Bosch. A experiência da loucura (os delírios e alucinações) esteve presente em todos os 18 de Maio. Para o coletivo que constrói esta manifestação, a expressão dessa vivência é quesito fundamental para a superação de mitos.

3ª ala: HOSPITAL TOTAL, PEGA UM, PEGA GERAL”: representará o momento da “captura”, o grande enclausuramento empreendido na Europa, o agrupamento dos miseráveis, desocupados, bêbados, mágicos, hereges, doentes venéreos, alquimistas e os loucos. Todos os excomungados sociais colocados num único espaço. “Coincidências” à parte, tudo isso ocorre em pleno advento do capitalismo e, portanto, são os inadaptados e improdutivos que vão habitar as casas de correção e os ditos hospitais gerais (nomeação dos espaços de confinamento, mas que nada têm a ver com o que chamamos hoje de hospital).

4ª ala: “A RAZÃO ARRASOU, O HOSPÍCIO CHEGOU!”: apresentará o nascimento da psiquiatria e do hospital psiquiátrico da maneira que conhecemos hoje. Será o encobrimento da loucura como saber que expressa a experiência trágica do homem no mundo, impossibilitando a troca entre um saber e outro. Inaugura-se o monólogo da razão sobre a loucura e a concepção de doença mental.

5ª ala: “TERRA À VISTA!”: é a ala das crianças e adolescentes. Mostrará que a história continua, mas num outro sentido: o da sociedade sem manicômios. Inventividade e sensibilidade estão presentes nos serviços substitutivos ao manicômio; o novo modelo de tratamento, o cuidado em liberdade e o resgate da loucura enquanto experiência humana. Temos sim o que festejar e o que sustentar! Mil vivas às conquistas de um novo tempo para a diferença.

6ª ala: Ô ABRE ALAS QUE EU QUERO PASSAR, EU SOU DA LUTA NÃO POSSO CALAR!: a ala dos movimentos sociais tratará de outras obras de Foucault, que também refletiu sobre as prisões, a sexualidade, a clínica, as práticas jurídicas, em livros como a História da Sexualidade, Microfísica do Poder, Vigiar e Punir. Foucault nos diz que a partir do momento em que há uma relação de poder, há uma possibilidade de resistência e que é possível modificar uma dominação sob determinadas condições e conforme estratégia adequada. Convocamos todos os movimentos sociais para fechar o desfile com esta história que não tem fim, até chegarmos à realidade de uma sociedade sem manicômios.

PARTICIPAM DESTE DESFILE OS USUÁRIOS, FAMILIAES E TRABALHADORES DE TODOS OS SERVIÇOS SUBSTITUTIVOS DE BELO HORIZONTE, IPATINGA, JOÃO MONLEVADE, NOVA LIMA, RIBEIRÃO DAS NEVES, SÃO JOAQUIM DE BICAS, BETIM, CONTAGEM, BRUMADINHO, SABARÁ, IGARAPÉ, PEDRO LEOPOLDO, ESMERALDAS, ENTRE INÚMEROS OUTROS.

ALÉM DELES, VÁRIOS COLETIVOS DE ESTUDANTES DA UFMG, UNIFENAS, CIÊNCIAS MÉDICAS, FUMEC E NEWTON PAIVA, ENTIDADES DE DIREITOS HUMANOS, DE CATEGORIAS PROFISSIONAIS, ETC

PROMOÇÃO:

FÓRUM MINEIRO DE SAÚDE MENTAL E ASSOCIAÇÃO DOS USUÁRIOS DOS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL DE MINAS GERAIS

APOIO:

SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE BELO HORIZONTE

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA

CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA – 4ª REGIÃO

VEREADOR ARNALDO GODOY

DEPUTADO ESTADUAL ROGÉRIO CORREIA

SINDICATO DOS FARMACÊUTICOS DE MINAS GERAIS

SINDICATO DOS PSICÓLOGOS DE MINAS GERAIS

CENTRO UNIVERSITÁRIO NEWTON PAIVA

DIA: 18 DE MAIO (4ª FEIRA)

LOCAL: PRAÇA SETE (QUARTEIRÃO FECHADO DA RUA RIO DE JANEIRO)

CONCENTRAÇÃO: À PARTIR DE 13 HORAS

INÍCIO DO DESFILE: 14:30 HORAS

TRAJETO: PRAÇA SETE, AVENIDA AFONSO PENA, AV. ÁLVARES CABRAL, AV. AUGUSTO DE LIMA, RUA RIO DE JANEIRO, TERMINANDO O DESFILE NO QUARTEIRÃO FECHADO DA RUA RIO DE JANEIRO ESQUINA COM TAMOIOS.

SAMBA ENREDO DO 18 DE MAIO/2011: COMPOSTO E EXECUTADO POR UM USUÁRIO DOS SERVIÇOS SUBSTITUTIVOS DE SAÚDE MENTAL DE BELO HORIZONTE, JULIANO DA SILVA, USUÁRIO DO CERSAM LESTE E DO CENTRO DE CONVIVÊNCIA ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO

SOU O REI DA LOUCURA

Autor: Juliano da Silva (usuário do CERSAM Leste e Centro de Convivência Arthur Bispo do Rosário)

REFRÃO

Sou o rei da loucura

Da loucura sou realeza

Com o samba na cintura

Eu sou maluco beleza

Desfilo na passarela

A minha fantasia é a mais bela

No Jardim das Delícias

Eu sou Adão e você e minha Eva

REFRÃO

Foucault fez da literatura

A expressão da loucura

Que expressa nossa luta

Contra a falsa ditadura

REFRÃO

Somos tão diferentes

E ao mesmo tempo

Somos iguais pois

A nossa igualdade

É lutarmos pelos nossos ideais

REFRÃO

Michel contou a história

No nosso presente

Para mexer com o mundo

Em prol de quem é diferente

Nada como o tempo e a mão das estações.

"por isso eu não deixo de caminhar.. não deixo de procurar"

Movimentos Sociais e Saúde Hoje: Novos tempos, novas Necessidades , novas estratégias


[http://www4.ensp.fiocruz.br/biblioteca/home/exibedetalhesBiblioteca.cfm?ID=12242&tipo=B]

Movimentos sociais e saúde hoje: novos tempos, novas necessidades, novas estratégias - Mª Inês S. Bravo
Palestra proferida por Maria Inês Souza Bravo, professora da Faculdade de Serviço Social da Uerj, durante o Ciclo de Debates - Conversando sobre a Estratégia de Saúde da Família, realizada no Auditório Térreo da ENSP no dia 9 de maio de 2011. A atividade contou ainda com a participação do vice-diretor da Escola de Governo em Saúde, Marcelo Rasga Moreira, como debatedor da palestra e teve a coordenação do pesquisador da ENSP, Eduardo Stotz.
A professora destacou que a saúde é um componente fundamental da democracia por ser determinada por um conjunto de direitos como também por ter potencial revolucionário e de consenso.
Arquivo disponível para leitura, audição e/ou download aqui
Dando início às atividades da sétima edição do Ciclo de Debates - Conversando sobre a Estratégia de Saúde da Família - nessa segunda (9/5), no auditório térreo da ENSP, a professora da Faculdade de Serviço Social da Uerj, Maria Inês Souza Bravo, abordou o temaMovimentos sociais e saúde hoje: novos tempos, novas necessidades, novas estratégias. A professora destacou que a saúde é um componente fundamental da democracia, uma vez que é determinada por um conjunto de direitos, como também pelo potencial revolucionário e de consenso. A atividade contou ainda com a participação do vice-diretor da Escola de Governo em Saúde, Marcelo Rasga, como debatedor da palestra, e coordenação do pesquisador da ENSP, Eduardo Stotz.
Maria Inês iniciou o debate abordando dois pontos fundamentais: o potencial revolucionário e o consenso. O primeiro é destacado pelo fato da saúde se constituir em um campo privilegiado da luta de classe em que se chocam as concepções de vida das diferentes classes sociais. Já o consenso pode unir um conjunto de forças para empreender lutas para a sua conquista. Para Inês, a distribuição desse direito é motivo de dissenso. "Com base nesta concepção, destaca-se a importância das lutas dos movimentos sociais", citou a professora.
Em seguida, Inês contextualizou a luta pela saúde na abertura política. Segundo ela, partir da década de 90, consolida-se uma direção política das classes dominantes no processo de enfrentamento da crise brasileira, tendo como estratégias do grande capital a acirrada crítica às conquistas sociais da Constituição de 1988 e a construção de uma cultura persuasiva para difundir e tornar universal sua visão do mundo. A professora destacou também a participação dos movimentos sociais e a saúde a partir da década de 90. "Houve uma fragilização das lutas sociais como uma atitude defensiva dos movimentos sociais, tornando assim um campo propício para as tendências neocorporativas e individualistas", afirmou.
A professora ressaltou ainda as condições históricas que demarcam o debate atual dos Conselhos, que, segundo ela, "são mecanismos de democratização do poder na perspectiva de estabelecer novas bases de relação Estado-Sociedade, e a introdução de novos sujeitos políticos, além de inovar na Gestão das Políticas Sociais, tem a finalidade de estabelecer parâmetros de interesse público para o governo (os conselhos não governam), exigindo a democratização das informações e transparência no processo governamental". Inês citou algumas proposições para o fortalecimento dos conselhos, como a articulação entre os diferentes sujeitos que atuam neles, por meio da criação de Fóruns de Políticas Sociais nos estados e municípios, e a articulação entre os diversos conselhos de política e de direitos na elaboração das propostas, a fim de evitar a fragmentação e segmentação das políticas públicas.
Por fim, Inês apontou que "na atual conjuntura, é fundamental a articulação nacional através da Frente entre os diversos Fóruns de Saúde, com vistas à construção de um espaço que fomente a resistência às medidas regressivas e aos direitos sociais, e contribua para a construção de uma mobilização em torno da viabilização do Projeto de Reforma Sanitária, construído nos anos 80 no Brasil, tendo como horizonte a emancipação humana", concluiu.

Desafios atuais dos movimentos sindicais
Dando continuidade ao tema proposto para o debate, o vice-diretor da Escola de Governo em Saúde da ENSP, Marcelo Rasga, pontuou desafios para os movimentos sociais na atualidade. Segundo ele, "para chegar ao socialismo, é necessária a radicalização da democracia, pois só assim teremos uma sociedade mais justa". Dentre os desafios apontados pelo vice-diretor para a radicalização da democracia, é fundamental aumentar a participação da sociedade na formulação das políticas públicas.
De acordo com o professor, os conselhos de saúde têm extrema importância, pois atuam no campo da formulação das políticas públicas. Porém a questão de terem participação não resolve todos os problemas, pois é fundamental a integração de várias ações. "Hoje podemos com força de lei entrar e participar; podemos radicalizar a democracia se investirmos em nossa participação por meio dos conselhos de saúde. Os movimentos sindicais têm que exigir a melhora do Sistema Único de Saúde", enfatizou o vice-diretor.
Em seguida, Marcelo apontou que é fundamental saber o que são os movimentos sociais claramente na atualidade. "Nos dias de hoje, os movimentos sociais não são mais o que eram há 20 anos, hoje eles são múltiplos, diversos e têm atuação para dividir os espaços dos Conselhos de Saúde com a sociedade", afirmou. O vice-diretor destacou também que é importante saber, nos dias de hoje, quem é a favor da saúde como direito do cidadão. Segundo ele, precisamos ter claro quem são os movimentos que veem o SUS como direito universal, pois assim o movimento sanitário pode se aproximar e se articular. Por fim, o professor destacou que "os movimentos sociais devem discutir, fazer e formular políticas públicas, pois apenas assim conseguiremos radicalizar a democracia e chegar ao socialismo, oferecendo uma sociedade mais justa e digna para todos".
Fontes: Informativo ENSP  e  ENPS - Biblioteca Multimídia - Temas

domingo, 8 de maio de 2011

13 de Maio: Abolição não conclusa para as mulheres Negras do RS, abre debate uma semana antes

ademocraciaO programa Democracia da TV Assembléia, que foi  ao ar nesta sexta -feira, 6 de maio , às 23 horas, com o tema  polêmico  13 de maio para as mulheres negras abolição não conclusa, proposta da ASSOBECATY- Associação Beneficente  Cultural Africana Templo de Yemanjá.  Reuniu a  yalorixá  Carmen de Oxalá que possui trabalho de  pesquisa acadêmica em psicologia  sobre Mulheres Afro- Brasileiras , juntamente com a  assessora e lider de políticas  comunitárias, que  também pertence a área da psicologia Angélica Mirinhã e a relevância da coordenadora técnica da organização de mulheres negras  Maria Mulher,  Prof. Dra. Lucia Regina  Brito Pereira que ocuparam o espaço do Programa Democracia  para debater  a questão da abolição as mulheres negras, pauta  que entrou com força total no estado  do Sul, com uma semana de antecedência. O evento está marcado para o dia 13 de maio, na sala Mauricio Cardoso, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. ás  13:30 horas. O programa tem a Apresentação: Batista Filho Produção: Michele Dariva, Pietra Luah Reis e Simone Magalhães

Quem quiser conferir, durante a semana acontecerão reprises em horários alternativos http://www.al.rs.gov.br/tvassembleia

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Manifesto ABRAPSO. Pelo direito à memória, justiça e verdade

13 de abril de 2011

No dia 31 de março de 2011 completou 47 anos do Golpe Militar, data que deveria ser lembrada com vergonha e pesar por todo e qualquer brasileiro, porém, não foi o que ocorreu. Nesta data, a Comissão Interclubes Militares divulgou, sem qualquer pudor, nota na qual distorce fatos e enaltece o Golpe, como se esta fosse uma boa resposta à demanda da população.

A Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO) vem por meio deste, manifestar seu repúdio a essa nota, bem como a quaisquer outras manifestações que distorçam os fatos do período da ditadura, acreditando ser a memória um instrumento de luta política sem o qual as novas gerações ficam completamente à mercê da repetição dos mesmos equívocos outrora cometidos.

Omitir o direito à memória de uma Nação é tirar-lhe uma grande gama das possibilidades de seu futuro, é submeter-lhe novamente ao terror vivenciado e permitir que as coisas se repitam cotidianamente, com aparência distinta, mas a mesma violência. Ou não seria fruto desta amnésia imposta o crescente extermínio de jovens negros e indígenas, de homossexuais e também a forte repressão e criminalização dos movimentos sociais?

Não são poucas as denúncias que s meios de comunicação de massa, a mídia alternativa e os movimentos sociais têm feito de abusos por parte da polícia militar na repressão ao direito dos cidadãos de se manifestarem. Haja vista a recente prisão de treze pessoas que se manifestaram em um ato político contra a vinda do presidente estadunidense Barack Obama.

Também não são poucas as denúncias de tortura, perseguição política, encarceramento indevido, desaparecimento forçado, disseminação do medo na população pela manutenção de uma suposta harmonia social. O que evidencia que o aparato repressor do Estado brasileiro ainda se utiliza dos métodos tão largamente utilizados durante a ditadura civil-militar.

Frente a tais fatos, a Associação Brasileira de Psicologia Social sente-se na obrigação de explicitar os ditos fatos e reivindicar:

- O direito à memória e justiça da população, o fim da anistia aos torturadores e a construção de uma Comissão da Verdade em nosso país.

- O fim da criminalização dos movimentos sociais, da perseguição política e do encarceramento indevido.

- O respeito ao direito de livre manifestação da população e o fim da repressão e violência contra os manifestantes.

- A averiguação dos assassinatos de jovens e o fim da criminalização da pobreza.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOLOGIA SOCIAL

06 de abril de 2011.

Caso não esteja conseguindo visualizar esta mensagem,  clique aqui.

ABRAPSO - Associação Brasileira de Psicologia Social
http://www.abrapso.org.br/

Realengo e a tragédia dentro da tragédia: Carta aberta da RHEG

11/04/2011

É tarefa mais do que delicada escrever a respeito do massacre ocorrido ontem, dia 07 de abril de 2011, na escola Municipal Tasso de Silveira, em Realengo, Rio de Janeiro. Tamanha violência atinge a todos e todas, mas certamente, não conseguimos imaginar e de fato não sentimos a mesma dor de familiares, amigos e amigas, que neste momento enterram as crianças e adolescentes assassinadas ou ansiosamente aguardam a recuperação das ainda internadas.

Até este momento, são 12 crianças e adolescentes mortas e vários outras que foram feridas, sendo que 11 continuam internadas, quatro (04) em estado grave.

As primeiras notícias informavam que Wellington havia atirado “indiscriminadamente na direção de vários adolescentes”, no entanto, aos poucos, ficamos sabendo que o cenário, de fato, não foi este. Após divulgada a lista com o nome das vítimas começou a se desvendar a tragédia dentro da tragédia. As vítimas foram executadas com tiros desferidos há uma distância muito pequena e na maioria dos casos, houve uma seleção de quem deveria morrer.

Das 12 vítimas letais, 10 eram meninas entre 12 e 14 anos. De acordo com um aluno de 13 anos, testemunha do crime, “Ele matava as meninas com tiros na cabeça. Nas meninas, ele atirava pra matar. Nos meninos, os tiros eram só para machucar, nos braços ou nas pernas.”.

A morte de uma criança ou adolescente é sentida da mesma forma, seja de uma menina ou menino. Toda a população espera a recuperação dos que seguem internados, sejam meninas ou meninos. Mas mesmo assim, não podemos deixar de lado que dentro da tragédia, uma violência de gênero foi perpetrada. O autor, um homem jovem, as vítimas, em sua maioria, do sexo feminino. Estas 10 garotas foram executadas não apenas por estudarem na escola Municipal Tasso de Silveira, mas também pelo simples fato de serem do sexo feminino.

Muito se fala agora do Massacre da escola Columbine (Colorado, Estados Unidos), quando em 1999, dois estudantes, Eric Harris, 18 anos e Dylan Klebold, 17 anos,assassinaram 13 pessoas (oito alunos, quatro alunas e um professor) e feriram 21 (13 alunos e oito alunas).

No entanto, o que aconteceu ontem na escola Municipal Tasso de Silveira lembra ainda mais outro massacre, acontecido em Montreal, em 1989. A diferença entre os acontecimentos é que a nossa tragédia foi perpetrada contra crianças e adolescentes, enquanto que no Canadá, contra adultos jovens.

“Massacre de Montreal”, Canadá, 6 de dezembro de 1989. Marc Lepine (25 anos) entrou numa sala de aula da Escola Politécnica de Montreal, 48 alunas e alunos estavam na sala. Ele sacou um rifle semi-automático do casaco e ordenou que as mulheres ficassem de um lado da sala e os homens no outro, depois, deu tiros para cima e ordenou que os homens se retirassem. Após a saída dos homens, ele começou a executar as mulheres. Saiu da sala e continuou pelos corredores da escola, caçando mulheres. Gritava “Eu só quero as mulheres! Eu odeio as feministas!”. Matou 14 mulheres, feriu outras 13. Apenas um homem foi ferido. Se matou quando a munição estava perto de acabar

Falemos das questões psicopatológicas do assassino (sem esquecer que numa cultura machista são os homens aqueles mais "atingidos" por enfermidades mentais), falemos de bullying (este sim, que independe do sexo) dos envolvidos  falemos da segurança das escolas, falemos de religiões (cujos fundamente em geral reproduzem a cultura machista), falemos da tragédia cotidiana brasileira causada pelo fácil acesso a armas de fogo e munição (cujos autores são, em sua grande maioria homens)... mas falemos devemos falar da violência de gênero que de fato aconteceu, da violência que foi principalmente direcionada às meninas e garotas desta escola.

Nos perguntemos “Que loucura é essa que prioriza meninas para matar?”. 22 anos depois do Massacre de Montreal, temos tristemente a nossa versão... Que loucura é essa que deseja eliminar meninas, garotas, mulheres? E por que até o momento este lado da tragédia tem sido tão pouco abordado?
Por favor, não leiam esta mensagem como totalitária ou reducionista. É antes de tudo uma, entre tantas leituras possíveis e necessárias (parcias e provisórias) sobre um evento, que não se explica, mas que nos impulsiona a pensar sobre várias dimensões de nossa vida em sociedade, sobre a pedagogia da violência que orienta nossas relações e que, muitas vezes, são vistas como normais, corriqueiras, cotidianas.

Rede de Homens pela Equidade de Gênero (RHEG)

A RHEG congrega um conjunto de organizações da sociedade civil que atuam na promoção dos direitos humanos, com vistas a uma sociedade mais justa com equidade de direitos entre homens e mulheres. A Campanha do Laço Branco é a principal ação da Rede, a qual compreende um conjunto de estratégias de comunicação com vistas a sensibilizar, envolver e mobilizar os homens no engajamento pelo fim da violência contra as mulheres.

Integram a RHEG: Instituto Papai (PE), Núcleo de Pesquisas em Gênero e Masculinidades (Gema/UFPE); Instituto NOOS de Pesquisas Sistêmicas e Desenvolvimentos de Redes Sociais (RJ), Instituto Promundo (RJ), Coletivo Feminista (SP), ECOS - Comunicação em Sexualidade (SP), Margens/UFSC e Themis (RS).

Mais informações

www.lacobranco.org.br

FONTE : ABRAPSO

sábado, 9 de abril de 2011

LIVROS DE LITERATURA no Portal Dominio Público do Governo Federal

Abaixo uma pequena relação do acervo de livros de literatura encontrados no que podem ser baixados em formato PDF para o seu computador.