segunda-feira, 27 de junho de 2011

Dilma lançará lei em que ONGs terão verba para tratar viciado

22/06/11, 19:03

Dilma lançará lei em que ONGs terão verba para tratar viciado

Presidente montou grupo de trabalho comandado pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

A presidente Dilma Rousseff montou um grupo de trabalho para preparar uma nova lei que permita a Fazenda da Paz e comunidades terapêuticas (as ONGs)  a receberem recursos do governo federal para o tratamento de dependentes químicos (álcool e drogas). 

Fotos: Roberto Stuckert Filho/PR

Na tarde desta quarta-feira (22), Dilma Rousseff se reuniu com representantes das comunidades terapêuticas do País. Do Piauí estava o coordenador da Fazenda da Paz, Célio Luis Barbosa.

Por telefone, ele disse que o grupo de trabalho será comandado pela da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

“Ficamos otimistas com a reunião, pois a presidente Dilma Rousseff colocou que nenhum plano de combate as drogas será lançado sem a participação das comunidades terapêuticas”, afirmou Célio Luis.

Atualmente, as comunidades terapêuticas que são responsáveis por 80% dos atendimentos no País, não podem receber recursos federais. Elas não são reconhecidas pela União. Com a nova lei, o governo reconhece a legitimidade das comunidades e ainda dará financiamento. Hoje, o custo médio de um paciente é de R$ 800,00.

De acordo com pastor Wellington Vieira, que preside a Federação de Comunidades Terapêuticas Evangélicas do Brasil (Feteb), existem no país cerca de 3 mil comunidades que cuidam de aproximadamente 60 mil dependentes químicos.

“Estas entidades atendem atualmente cerca de 80% das pessoas que estão em tratamento”, disse o pastor Vieira.

A titular da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), Paulina Duarte, informou que a reunião atende pedido da presidenta Dilma com o objetivo de conhecer o trabalho desenvolvido pelas comunidades. A partir deste momento será estabelecido programa que vai incluir as entidades na rede pública para tratamento de dependentes químicos. Assim estas comunidades passam a receber recursos públicos para prestar o serviço.

Flash Yala Sena

yalasena@cidadeverde.com

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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Curso de Especialização em Psicologia Hospitalar

Inscrições abertas

Curso teórico-prático: inclui seminários teóricos, supervisão individual, prática no atendimento a pacientes, familiares e/ou trabalhadores do hospital.

Duração: 13 meses

Carga horária: 20 horas semanais

Título de Especialização reconhecido pelo Conselho Federal de Psicologia

Início do curso: 1º de agosto de 2011

INSCRIÇÕESde 10 de junho a 10 de julho,através do envio do Currículo para:

L-PICCAP-PsicologiaHospitalar@hcpa.ufrgs.br

Maiores informações pelo e-mail acima ou através do fone: 3359-8507

Conversando sobre Saúde e Espiritualidade

Palestras:

Conversando sobre Saúde e Espiritualidade

Data: 02/07 sábado às 10hs.

Local: Auditório da FATO – Faculdades Monteiro Lobato

Rua dos Andradas, 1180 – Centro - Porto Alegre, RS.

A medicina vem aprofundando seu estudo referente à importância da espiritualidade para a saúde humana. Isso se reflete no aumento significativo de pesquisas e publicações sobre o assunto, assim como o surgimento de disciplinas dentro das Universidades para aprofundar esses conhecimentos com a proposta de realizar a intersecção entre saúde e espiritualidade.

As pesquisas médicas têm demonstrado que o exercício da espiritualidade tem sido um importante instrumento de apoio para a melhora geral do paciente. Além da melhora clínica e da qualidade de vida dos pacientes, a prática espiritual abrevia o tempo de internação e do uso de medicação, diminuindo o custo do tratamento médico ao paciente e ao sistema de saúde.

Tudo isso tem gerado uma necessidade de se ampliar a discussão nessa área, preparando o profissional da saúde para tratar desses assuntos de forma cuidadosa e qualificada, capacitando-o a realizar pesquisas e de trazer esses conhecimentos para a sua prática profissional.

O debate proposto visa mostrar as relações entre saúde e religiosidade/espiritualidade, sua implicação na prática médica e as principais linhas de pesquisas. Refletir sobre as novas possibilidades terapêuticas com a inclusão da dimensão espiritual.

Data: 02/07 sábado às 10hs.

Local: Auditório da FATO – Faculdades Monteiro Lobato

Rua dos Andradas, 1180 – Centro - Porto Alegre, RS.

Debatedores:

Dr. Carlos Eduardo Accioly Durgante – Espiritualidade no processo de Envelhecer        

Licenciado em Medicina pela Universidade Federal de Santa Maria (Rio Grande do Sul). Especialista em Medicina Interna e Pós-Graduação em Geriatria e Gerontologia. Autor de vários livros entre eles “Velhice culpada ou inocente?” e “Pondo Fé na Ciência – A Relação entre Fé e a Saúde”.

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Dr. César Geremia – Atualidade Científica em Espiritualidade

Graduação em Medicina em 1989 pela FFFCMPA, Pediatra, Mestre em Medicina com ênfase em Endocrinologia Pediatrica , Título de Especialista em Pediatria, Título de Área de Atuação em Endocrinologia Pediátrica pela Soc. Bras. De Endocrinologia e Metabolismo, Professor de Fisiologia da ULBRA.

Dr. Gilson Luis Roberto – Conceito de Espiritualidade e sua Implicação na Saúde Mental

Graduado pela PUC-RS em 1991, com formação em homeopatia e Pós-Graduação em Psicologia Analítica Junguiana.Vice -Presidente do Hospital Espírita de Porto Alegre. Professor convidado em várias atividades de extensão universitária na área da saúde e espiritualidade, com inúmeras publicações entre elas a participação do livro Espiritualidade e Qualidade de Vida publicado pela EDIPUC.    

Dra. Tatiana Freitas Tourinho – Saúde e Espiritualidade

Médica formada na PUCRS em 1986, Residência em Medicina Interna , Residência em Reumatologia, Título de Especialização em Reumatologia AMB , Título de Especialista em Densitometria Óssea AMB, Professora de Reumatologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Mestre e Doutora em Clínica Médica pela UFRGS.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Mestrado em Mudança Social e Participação Política–USP

Aberto edital do processo seletivo para o mestrado em Mudança Social e Participação Política - 1º Semestre 2012 na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP.

http://each.uspnet.usp.br/pos/pos-edital-mudancasocial.pdf

LINHA DE PESQUISA: PARTICIPAÇÃO POLÍTICA E DESENVOLVIMENTO LOCAL 

GRUPO DE PESQUISA 1

A) Territorialidades, Políticas Públicas e Conflitos na Conservação de Patrimônios

Docentes: Hervé Théry, Neli Aparecida de Melo Théry e Sidnei Raimundo

B) Memória, Patrimônio Cultural e Natural e Desenvolvimento Local

Docentes: Andrea Cavicchioli, Silvia Helena Zanirato

C) Políticas Públicas e Gestão Participativa

Docentes: Ana Paula Fracalanza, Úrsula Dias Peres

D) Memória Coletiva, Participação e Dinâmicas Comunitárias

Docentes: André Viude, Soraia Ansara

LINHA DE PESQUISA: AÇÕES COLETIVAS, MOVIMENTOS E MUDANÇAS SOCIAIS

GRUPO DE PESQUISA 2

A) Psicologia Política, Políticas Públicas e Multiculturalismo

Docentes: Alessandro Soares da Silva, Marco Antonio B. de Almeida, Salvador A.M.

Sandoval

B) Movimentos Sociais: Sustentabilidade e Dimensão Socioambiental

Docentes: Bernardo Mançano Fernandes, Marcos Bernardino de Carvalho

C) Mudanças Socioespaciais

Docentes: Diamantino Alves C. Pereira, Gerardo Kuntschik

D) Saúde Coletiva, Gênero e Mudança Social

Docentes: Aurea Maria Zölner Ianni, Elisabete Franco Cruz

E) Educação, Sociedade e Políticas Públicas

Docente: Maria Eliza M. Bernardes

sábado, 4 de junho de 2011

Manifesto Abrapso em favor do projeto Escolas sem Homofobia


Manifesto da Abrapso em favor do projeto "Escolas sem homofobia": por um estado laico e igualitário.

Em face da polêmica envolvendo o material educativo do projeto federal "Escola sem Homofobia", a Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO) vem a público manifestar sua indignação ante a recente decisão do governo brasileiro de suspender a produção e divulgação desse instrumento pedagógico.
A ABRAPSO orgulha-se de manifestar, dentre os seus princípios, a defesa pela livre orientação sexual e esforça-se no combate a todas as formas de homofobia, baseando-se no principio constitucional da igualdade e na defesa da laicidade do Estado e da sociedade. Acredita, portanto, na necessidade de discutir e trabalhar o tema da discriminação contra LGBT em todos os setores da sociedade, inclusive nas escolas.
Ao contrário do que setores mais conservadores da sociedade, alguns dos quais usando argumentos religiosos, ou pretensamente psicológicos, para descaracterizar a proposta dos materiais, acreditamos que a linguagem utilizada pelos vídeos já exibidos anteriormente na imprensa e testados com populações diversas é apropriada para o público ao qual se destina. Esses argumentos escondem apenas a tentativa infundada, numa educação que se pretende laica e baseada em princípios constitucionais, de manter a homossexualidade sob o manto da invisibilidade, que favorece a discriminação e a violência contra estudantes homossexuais, tão comum nas escolas do nosso país.
Abrapso Gestão30anos

Caso não esteja conseguindo visualizar esta mensagem,  clique aqui.

ABRAPSO - Associação Brasileira de Psicologia Social
http://www.abrapso.org.br/

quinta-feira, 2 de junho de 2011

RODA DE CONVERSA ARTICULANDO PSICANÁLISE E SAÚDE COLETIVA

O ciclo de encontros intitulado: “Rodas de Conversa - Articulando Psicanálise e Saúde Coletiva”, retoma suas atividades em 2011. Seguindo o modelo iniciado em 2010, que consiste em exposições de palestrantes, especialmente convidados para falar sobre temas escolhidos, nas quais abre-se, após, espaço para debate, os encontros buscam promover diálogos e reflexões entre o campo da Psicanálise e da Saúde Coletiva. O objetivo é estimular trocas e aprofundar novos temas com estratégias construídas de forma compartilhada. As Rodas de Conversa são abertas a todos os interessados no assunto que envolve psicanálise e saúde coletiva.

O Cronograma completo de atividades previstas para o próximo semestre é o seguinte:

Cronograma – Primeiro Semestre de 2011

06/06/2011 - Crise: Psicanálise e Saúde Coletiva

Proponente: Ricardo Lugon

Interlocutora: Maria Gabriela Godoy (a confirmar).

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Freud vive, mas só para quem tem “cash”

 

DOYLESTOWN, Pa. —Solit

de Luiz Carlos Azenha

 

Talk Doesn’t Pay, So Psychiatry Turns Instead to Drug Therapy

por GARDINER HARRIS, no New York Times (Tradução parcial, siga o link para o conteúdo completo, em inglês)

Publicado em 5 de março de 2011

O Honorário com seu psiquiatra, o paciente confidenciou que o filho recém-nascido tinha sérios problemas de saúde, a mulher abalada gritava com ele e ele tinha voltado a beber. Com a vida e o segundo casamento desabando, o homem disse que precisava de ajuda.

Mas o psiquiatra, Dr. Donald Levin, fez o homem parar e disse: “Segura. Não sou seu terapeuta. Poderia ajustar suas medicações, mas não acho que seria apropriado”.

Como muitos dos 48 mil psiquiatras da nação [Estados Unidos], o Dr. Levin, em grande parte por causa das mudanças na forma de pagamento das companhias de seguro de saúde, não oferece mais terapia de fala, a forma de psiquiatria popularizada por Sigmund Freud que dominou a profissão por décadas. Em vez disso, ele receita drogas, normalmente depois de uma rápida consulta com cada paciente. E assim o Dr. Levin dispensou o paciente com uma indicação de um terapeuta mais barato e uma crise pessoal inexplorada e não resolvida.

A Medicina está mudando rapidamente nos Estados Unidos, de uma atividade pessoal para uma dominada por grandes grupos de hospitais e corporações, mas as novas eficiências são acompanhadas por uma perda de intimidade entre médicos e pacientes. E nenhuma especialidade perdeu mais profundamente que a psiquiatria.

Treinado como psiquiatra tradicional no Michael Reese Hospital, um centro médico de Chicago que desde então fechou, Dr. Levin, de 68 anos de idade, abriu seu primeiro consultório em 1972, quando a terapia de fala estava no ápice.

Então, como muitos psiquiatras, ele tratava de 50 a 60 pacientes em sessões de 45 minutos cada, uma ou duas vezes por semana. Agora, como muitos dos colegas, ele trata 1.200 pessoas, na maioria em visitas de 15 minutos para ajustes nas medicações, encontros que às vezes acontecem em intervalos de meses. Então, ele conhecia a vida pessoal dos pacientes melhor que o de sua própria esposa; agora, ele em geral nem consegue lembrar os nomes. Então, o objetivo do médico era tornar os pacientes felizes e completos; agora, é apenas mantê-los funcionais.

O Dr. Levin achou a transição difícil. Ele agora resiste a ajudar pacientes apenas a gerenciar melhor suas vidas. “Tive que me treinar para não se interessar pelos problemas deles”, ele disse, “sem derrapar para o caminho de me tornar um semi-terapeuta”.

Consultas rápidas se tornaram comuns na psiquiatria, disse o Dr. Steven S. Sharfstein, um ex-presidente da Associação Americana de Psiquiatria e agora presidente e executivo-chefe do Sheppard Pratt Health System, o maior sistema de saúde comportamental de Maryland.

“É uma prática que nos faz lembrar do atendimento primário”, disse o Dr. Sharfstein. “Checam as pessoas; sacam o talão de receitas; pedem exames”.

Com o cabelo ralo, a barba cinza e os óculos sem armação, o Dr. Levin se parece muito com os psiquiatras que apareceram durante décadas nos cartuns da [revista] New Yorker. O escritório dele, que fica acima do salão de cabeleireiro canino Dog Daze em um subúrbio da Filadélfia, tem um par de cadeiras de couro, máscaras africanas e a cabeça de uma alce na parede. Mas não há divã, nem sofá; o Dr. Levin não tem tempo nem espaço para que os pacientes se deitem.

Num dia recente, um homem de 50 anos visitou o Dr. Levin para renovar as receitas da medicação, um encontro que durou cerca de 12 minutos.

Dois anos atrás, o homem desenvolveu artrite reumatóide e ficou profundamente deprimido. O médico da família receitou um antidepressivo, sem efeito. O homem tirou licença do trabalho em uma companhia de seguros, se recolheu ao porão e raramente saia de casa.

“Eu fiquei como um urso, hibernando”, ele disse.

Missing the Intrigue

O homem procurou por um psiquiatra que fizesse terapia de fala, que receitasse se fosse necessário e que aceitasse seu plano de saúde. Não encontrou. Decidiu-se pelo Dr. Levin, que o persuadiu a fazer terapia de fala com um psicólogo e gastou meses ajustando um mix de medicações que agora inclui diferentes antidepressivos e um antipsicótico. O homem eventualmente retornou ao trabalho e agora sai de casa para ir ao cinema e visitar amigos.

A recuperação do paciente foi gratificante para o Dr. Levin, mas a brevidade das consultas — como as de todos os pacientes — deixa o médico se sentindo incompleto.

“Tenho saudade do mistério e do enredo da psicoterapia”, ele disse. “Agora me sinto com um mecânico de Volkswagen”.

“Sou bom nisso”, o Dr. Levin disse “mas não há muito a aprender sobre as drogas. É como [o filme] ‘2001, Odisseia no Espaço’, onde você tinha Hal, o supercomputador, sobreposto ao macaco com o osso. Sinto agora que sou o macaco com o osso”.

A mudança, das terapias de fala para as drogas, varreu os consultórios e os hospitais, deixando muito psiquiatras mais velhos se sentindo infelizes e inadequados. Um pesquisa governamental de 2005 indica que apenas 11% dos psiquiatras oferecem terapia de fala para todos os pacientes, um número que vem caindo há muitos anos e caiu ainda mais desde então. Hospitais psiquiátricos que no passado ofereciam meses de terapia de fala agora dispensam os pacientes dias depois da internação, apenas com as pílulas.

Estudos recentes sugerem que a terapia de fala pode ser tão boa ou melhor que as drogas no tratamento da depressão, mas menos da metade dos pacientes deprimidos hoje recebe esse tipo de terapia, quando a vasta maioria tinha acesso 20 anos atrás. As políticas de reembolso das companhias de seguro, que desencorajam as terapias de fala, são parte da razão. Um psiquiatra pode receber 150 dólares por três visitas de 15 minutos apenas para prescrever medicação, comparados com 90 dólares por uma consulta de 45 minutos envolvendo a terapia de fala.

A competição que vem de psicólogos e assistentes sociais — que, ao contrário dos psiquiatras, não estudam Medicina, portanto podem cobrar mais barato — é a razão pela qual a terapia de fala tem um valor menor na tabela das seguradoras. Não existem provas de que os psiquiatras ofereçam uma terapia de fala de melhor qualidade que psicólogos ou assistentes sociais.

Naturalmente, existem milhares de psiquiatras que ainda oferecem terapia de fala para todos os pacientes, mas eles cuidam mais dos ricos, que pagam em dinheiro. Em Nova York, por exemplo, um seleto grupo de psiquiatras cobra 600 dólares por hora para tratar banqueiros de investimento e os psiquiatras pediátricos cobram 2 mil dólares ou mais apenas na avaliação inicial do paciente.

Quando começou na psiquiatria, o Dr. Levin fazia sua própria agenda e pagava a estudantes universitários para enviar as cobranças pelo correio. Mas, em 1985, ele começou em uma série de empregos em hospitais e não voltou a ter um consultório até 2000, quando ele e mais de uma dúzia de psiquiatras com os quais trabalhava ficaram chocados ao descobrir que as companhias de seguro não pagariam mais o que eles pretendiam receber por sessões de terapia de fala.

“De início, todos nós seguramos firme, alegando que tinhamos passado anos aprendendo o ofício da psicoterapia e que não abriríamos mão dele por causa da política de pagamento das seguradoras”, o Dr. Levin disse. “Mas, um a um, nós aceitamos que o ofício não era mais economicamente viável. A maioria de nós tinha filhos na universidade. E ter a renda reduzida dramaticamente foi um choque para nós. Levei pelo menos cinco anos para aceitar emocionalmente que eu nunca voltaria a fazer o que tinha feito antes, o que eu amava”.

Ele poderia ter aceito viver com menos dinheiro ou poderia ter dado tempo aos pacientes mesmo sem receber reembolso da seguradora mas, diz, “eu queria me aposentar com o mesmo estilo de vida que eu e minha mulher tinhamos tido pelos últimos 40 anos”.

“Ninguém quer ganhar menos ao evoluir em sua carreira”, ele disse, “você toparia?”.

O Dr. Levin não revelou qual é sua renda. Em 2009, a compensação média anual para psiquiatras foi de cerca de 190 mil dólares, de acordo com pesquisas de grupos médicos. Para manter a renda, os médicos geralmente respondem aos cortes impostos pelas seguradoras aumentando o volume dos serviços, mas os psiquiatras raramente recebem compensação pelo treinamento adicional que tiveram na escola. A maioria se daria melhor financeiramente escolhendo outras especialidades médicas.

A Dr. Louisa Lance, uma ex-colega do Dr. Levin, pratica a velha forma de psiquiatria em um consultório ao lado de casa, a 20 quilômetros do Dr. Levin. Ela gasta 90 minutos com novos pacientes e marca as consultas de retorno para durar 45 minutos. Todos recebem terapia de fala. Cortar a relação com as seguradoras foi ameaçador, já que significa depender apenas da propaganda boca-a-boca, em vez das indicações da rede de médicos da seguradora, disse a Dra. Lance, mas ela não consegue imaginar uma consulta de 15 minutos. Ela cobra 200 dólares pela maioria das consulta e vê menos pacientes em uma semana que o Dr. Levin em um dia.

“A medicação é importante”, ela disse, “mas é o relacionamento que faz as pessoas melhorarem”.

As tentativas iniciais do Dr. Levin de conseguir reembolso das seguradoras ou persuadir os clientes a cobrir a parte que lhes cabe do valor da consulta não foram bem sucedidas. As assistentes do consultório simpatizavam com o choro dos pacientes e não recebiam os pagamentos. Então, em 2004, ele pediu à esposa, Laura Levin — uma terapeuta de fala licenciada, por ser assistente social — que assumisse o lado “negócio” do consultório.

A senhora Levin criou um sistema de contabilidade, comprou poderosos computadores, pagou licença de uso de um programa de agendamento de um hospital próximo e contratou uma empresa de cobrança para lidar com as seguradoras e ligar para os pacientes, lembrando-os das consultas. Ela impôs uma série de taxas nos pacientes: 50 dólares por uma consulta perdida, 25 dólares pelo fax de uma nova receita e 10 dólares extras por não pagar em dia o que é devido.

Assim que o paciente chega, a senhora Levin pede o co-pagamento [parte que cabe ao paciente, acima do pago pela seguradora], que pode ser de até 50 dólares. Ela marca as consultas seguintes sem perguntar por datas e horários preferidos, ganhando os minutos preciosos que os pacientes usariam para consultar seus calendários. Se os pacientes disserem mais tarde que não podem comparecer às consultas marcadas, pagam por isso.

“O segredo é o volume”, ela disse, “se gastamos dois ou cinco minutos extras com cada um dos 40 pacientes do dia, isso significa que vamos ter mais duas horas de trabalho por dia. E não temos como fazê-lo”.

Ela diz que gostaria de dar mais de si, particularmente aos pacientes que claramente enfrentam problemas. Mas ela se disciplinou para manter as interações restritas às questões presentes. “A realidade é que não sou mais terapeuta, ela disse, em palavras que ecoaram as do marido.

PS do Viomundo: Dá uma ideia do que se tornou, hoje, nos Estados Unidos, a “Medicina de mercado”. E vamos pelo mesmo caminho, especialmente se detonarem o SUS.