quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Comissão aprova proposta que promove culturas tradicionais


Leonardo Prado

Edson Santos

Edson Santos: a cultura de comunidades tradicionais não tem tido condições efetivas para preservação e desenvolvimento.

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara aprovou na quarta-feira (5) o Projeto de Lei759/11, do deputado Padre Ton (PT-RO), que visa a promover a cultura das comunidades indígenas, afro-brasileiras, de outras minorias, além das manifestações folclóricas tradicionais.
A proposta tem o objetivo também de apoiar, de maneira equilibrada, a distribuição de recursos entre as distintas manifestações culturais, priorizando as de origem local, reconhecidamente tradicionais e consideradas raízes do folclore nacional.
O projeto altera a Lei Rouanet de Incentivo à Cultura (
8.313/91), que criou o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), com os mecanismos do Fundo Nacional de Cultura (FNC) do mecenato e do Fundo de Incentivo Cultural e Artístico (Ficart). A lei tem justamente a finalidade de captar e canalizar recursos para o setor de modo a promover diversas manifestações culturais brasileiras.
O autor lembra que a proposição foi apresentada na legislatura passada pelo deputado Eduardo Valverde (PT-RO), falecido neste ano, e que seu objetivo é priorizar a atenção para manifestações culturais tradicionais, especialmente para aquelas que se encontram sob ameaça de desaparecimento e são constantemente discriminadas.

Pluralidade da produção cultural
Em seu parecer, o relator, deputado Edson Santos (PT-RJ), acatou o projeto na íntegra. “É evidente que a cultura de comunidades tradicionais não tem tido condições efetivas para preservação e desenvolvimento. Ao falar diretamente das comunidades tradicionais indígenas e afro-brasileiras e do apoio à distribuição equilibrada de recursos entre as distintas manifestações culturais, a proposição supre uma lacuna na política cultural brasileira e ajuda a dar condições efetivas para garantir a diversidade e pluralidade dessa produção cultural”, afirmou Edson Santos.

Tramitação
Sujeita à análise conclusiva nas comissões, o projeto segue para as comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

Reportagem - Mariana Monteiro
Edição – Regina Céli Assumpção

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domingo, 2 de outubro de 2011

SPM participou da Conferência Temática de Yás

Publicação Site  SPM : 24.09.2011 às 18:00

Yalorixás pedem o fim do preconceito contra religiões afro-brasileirasSPM participou da Conferência Temática de Yás

SPM participou da Conferência Temática de Yás

No dia 24 de outubro, na Praia da Alegria do município de Guaíba, aconteceu a 1ª Conferência Temática Estadual de Yás de Casas de Tradição, onde sacerdotes femininas de religiões de matriz negro-africana refletiram sobre políticas públicas a serem levadas para a IV Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres "Enid Backes", que ocorre em outubro em Porto Alegre.
Na abertura, a secretária de Políticas para as Mulheres, Márcia Santana, saudou as entidades, exaltou o respeito às diferenças de credo e ressaltou a importância das religiões afro-brasileiras em garantir a cidadania das mulheres, pois os terreiros são espaços de inclusão. O prefeito de Guaíba, Henrique Tavares, anunciou que o município está viabilizando o Inventário das Religiões de Matriz Africana na cidade, projeto a ser realizado em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE) e a secretária de Turismo, Desporto e Cultura de Guaíba, Claudia Mara Borges Rosa, reforçou que encontros como a Conferência "dão um norte para o gestor público identificar quais as políticas prioritárias para as religiões de matriz africana". Outras autoridades saudaram o evento.
As/os participantes do encontro refletiram sobre a relação entre a cidadania das mulheres e a superação dos preconceitos sofridos pelas religiões afro-brasileiras. A Conferência se estendeu até o domingo, quando as Yás promoveram o IV Alujá na Pedra do Xangô de Guaíba.

O evento foi realizado pelo Movimento 13 de Maio - Abolição não Conclusa para as Mulheres Negras, Associação Beneficente Cultural Africana Templo de Yemanjá - ASSOBECATY, Central de Movimentos Populares - CMP, Revista Conexão Afro e Sindicato dos Servidores Públicos da CUT/RS. Conta ainda com o apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres - SPM/RS, Secretaria de Educação - SEDUC/RS, Secretaria da Cultura - SEDAC/RS, Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR/PR, Secretaria Especial de Direitos Humanos - SEDH/PR, Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres de São Leopoldo, Conselho Municipal de Direitos da Mulher e Prefeitura de Guaíba.
www.spm.rs.gov.br


caracoles

FALAR com Mãe Carmen de Oxalá

Fone: (51) 30556655 / 97010303 e 84945770

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Psicologado News - "Cérebro usa áreas diferentes para julgar e punir, segundo pesquisa"

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Cérebro usa áreas diferentes para julgar e punir, segundo pesquisa

Posted:

Para a maioria das pessoas, o senso de justiça determina que os responsáveis por crimes ou injustiças sejam castigados. Julgamento e punição, porém, não estão intimamente relacionados – pelo menos não no sistema cerebral. Segundo pesquisa recente publicada pelaNeuron, a elaboração de cada um desses processos ocorre em duas áreas neurológicas distintas: uma ligada a análises lógicas e racionais e outra vinculada às emoções.

Descoberta nova ligação genética entre esquizofrenia e transtorno bipolar

Posted:

Uma equipe internacional de mais de 250 pesquisadores de 20 países concluíram um marco no estudo da relação entre variações genéticas e doenças mentais.

Os pesquisadores estudaram mais de 50.000 adultos e descobriram que variações genéticas comuns contribuem para o risco de uma pessoa ter esquizofrenia e transtorno bipolar.

Genética ajuda a entender por que autismo é mais comum em meninos

Posted:

Apesar de as causas do autismo ainda não estarem totalmente esclarecidas, diversas pesquisas indicam que hormônios sexuais podem contribuir para sua ocorrência, já que o distúrbio é quatro vezes mais comum em meninos. Agora, um estudo publicado pelo PLoS ONE mostra que interações genéticas ajudam a entender alguns dos principais sintomas e explicar essa discrepante prevalência em crianças do sexo masculino.

sábado, 17 de setembro de 2011

"Psicologia Organizacional com Ênfase em Recursos Humanos", "As Emoções" e mais 4 novos artigos Entrada X

Resumo dos novos artigos publicados:

Setor Hoteleiro: O Capital Humano Agregado ao Valor do Trabalho
escrito por: Hérica Rodrigues de Sousa
Introdução: A Psicologia, ao longo dos tempos, está conseguindo desligar-se do conceito que lhe foi atribuído como a ciência que se ocupa apenas dos processos mentais, onde está intimamente relacionada com a visão do psicólogo clínico. De acordo com Achcar, Duran E Bastos (1994) este conceito está aos poucos se modificando, sendo agora relacionada também ao comportamento humano, onde o profissional tem várias áreas de atuação, seja ela nas escolas, organizações, presídios, entre outros, ou seja, o profissional é chamado a atuar onde exista capital humano. Neste trabalho, será abordado o campo da Psicologia Organizacional, no qual o profissional trabalha de forma a promover o bem-estar dos trabalhadores bem como trazer uma visão mais humanizada para as empresas.

A elaboração desta atividade nasceu a partir da experiência da disciplina Estágio Básico I em uma empresa do ramo hoteleiro na cidade de Parnaíba - PI. A prática inicialmente tinha caráter puramente observatório, o que foi modificado ao longo do período de cinco semanas, quando também foi utilizado entrevistas informal e formal para que se pudesse conhecer melhor a dinâmica da empresa.

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Psicologia Organizacional com Ênfase em Recursos Humanos
escrito por: José Carlos da Silva
Resumo: Este estudo delimita-se a apresentar a Psicologia Organizacional como ferramenta indispensável na área de recursos humanos e sua importância para aqueles que lidam com questões como liderança, formação de equipes, seleção e desenvolvimento de pessoas entre outras. Muitas vezes as Relações Humanas no ambiente de trabalho tornam-se tão conflitantes que o desenvolvimento ético e profissional ficam prejudicados. A mente humana é repleta de complexidades e uma ação pode causar dezenas de outras reações em uma dezena de pessoas diferentes. Cada uma tem uma forma de reagir a uma certa situação. Diante deste panorama surgem questões como: Que nível de Relações Humanas o Administrador de Empresas deve focar e instigar em seus funcionários, para que o ambiente de trabalho se torne um lugar agradável?
Palavras-Chave: Psicologia Organizacional, Motivação, Comportamento.

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As Emoções
escrito por: Rosimeri Bruno Lopes
Resumo: O presente artigo incidiu sobre o estudo das Emoções, descrevendo de forma breve, os principais tópicos sobre o tema. A elaboração desse trabalho tem como objetivo, uma breve abordagem sobre algumas teorias das Emoções, a descrição de algumas definições e classificações das emoções, bem como alguma de suas funções.
Palavras-Chave: Emoções, Definições, Classificação, Teorias das emoções.

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Psicologia: Diferenças de Gênero na Escolha Profissional
escrito por: Elaine Pereira da Silva e Nara Cíntia Alves Cordeiro
Resumo: Esse trabalho trata-se uma pesquisa quanti-qualitativa, explicativa de levantamento que objetivou constatar de que forma o gênero influencia na escolha da psicologia como profissão. De forma específica determinou-se a porcentagem da aceitabilidade entre os vestibulandos, interpretou-se a porcentagem de homens e mulheres para avaliar se há uma feminização da Psicologia em Teresina, diferenciou-se as preferências profissionais masculinas e femininas e discutiu-se como o gênero pode influenciar na escolha profissional. Foram entrevistadas oito estudantes de Psicologia e também foram entregues formulários a 31 vestibulandos, ambos aplicados na Universidade Estadual do Piauí. Para análise, os dados foram agrupados em duas etapas, sendo estas divididas em duas categorias que foram posteriormente divididas em quatro subcategorias.
Palavras-Chave: Psicologia; Diferenças de gênero; Escolha profissional.

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Câncer de Pênis: Sentimentos e Percepções de Pacientes Diagnosticados para Amputação
escrito por: Ana Teresa Torres Teles
Resumo: Este estudo tem como objetivo compreender a experiência de seis pacientes com câncer de pênis diagnosticados para amputação, identificando a partir dos relatos colhidos, os principais sentimentos, proposições e percepções vivenciadas por eles. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa na perspectiva fenomenológica. Os dados foram obtidos através de entrevista com pacientes do Hospital de Câncer de Pernambuco. Após a análise, os resultados encontrados constatam que o câncer de pênis é uma doença ainda desconhecida pela quase totalidade dos pacientes acometidos e que a causa maior de sua incidência também é absolutamente ignorada. Tal enfermidade oculta perdas irreparáveis tanto para o físico, que envolve a perda do membro, como para o psicológico, por ser percebida como a "perda da masculinidade", constituindo assim o "câncer de pênis com diagnóstico de amputação" uma tragédia sem precedentes na vida do homem.
Palavras-chaves: Câncer de Pênis; Amputação de Pênis; Perda da Masculinidade; Impotência; Sofrimento Masculino; Pênis e Masculinidade; Carcinoma de Pênis.

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A Crise Ético-Religiosa Contemporânea e a Constituição do Sujeito – Ético-Religioso – no Pensamento de Freud
escrito por: Eudes Henrique da Silva
Palavras Introdutórias: A sociedade contemporânea experiência um certo amortecimento ético em todos os seus setores. A religião, objeto de nosso estudo, já não consegue dar um respaldo positivo às questões postas. A crise ética à qual estamos imersos tem seu agravante desde Auschwitz. Após esse desastroso evento ficou-se ainda mais difícil falar sobre a formação do sujeito, o que acarretou uma série de crises - que tem suas raízes no campo ético - na sociedade [1]. Propor uma formação do sujeito ético é a tarefa mais difícil na contemporaneidade, haja vista que todas as instituições, com as quais poderíamos contar para essa árdua tarefa, encontram-se em crises, como já foi dito anteriormente; e o pior é quando uma para se eximir joga para a outra a responsabilidade pela formação do sujeito. O certo é que nem a família, nem a escola, nem mesmo a religião conseguem dar respostas plausíveis à problemática existente e que se agrava a cada dia. E o resultado dessa crise é observável em toda a aldeia global. Ora, estamos experienciando um certo retorno à animalidade, e isso se explica pelos altos índices dos mais variados tipos de violência, física, moral, sexual, como também por um consumismo exacerbado, pelo comércio do corpo, tudo isso pela busca de uma satisfação imediata do prazer.

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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Escritura e Devir: Experimentações entre escrever/ler - 1ª Edição - Tarde

Apresentação

Curso Escritura e Devir: experimentações entre escrever/ler, propõe 12 encontros recheados de leituras apetitosas e pensamentos inquietantes. Passando por fragmentos de textos de Friedrich Nietzsche, Gilles Deleuze e Michel Foucault procuraremos problematizar a função do autor/escritor tomando como sopro a ideia que jamais escrevemos sozinhos. Poderíamos perguntar: que escritores povoam nossa solidão? Sem preocupação de fornecer respostas ou defender verdades o Curso caminha no sentido de potencializar incertezas sobre o processo criativo e o modo como experimentamos nossas leituras. Aberto para todas as áreas do conhecimento, tomaremos trechos das escrituras de Ricardo Piglia, Michel Tounier, Roland Barthes, Antonin Artaud e Maurice Blanchot, intentando com isso, criar um espaço coletivo e ressonante com gosto pela experimentação textual e imagética.

Objetivos do curso

- Ler textos literários e teóricos;

- Problematizar a função autor/leitor;

- Potencializar o desejo de escrever.

Público-alvo:

Estudantes, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas que se interessem pelos temas e aberto ao público em geral.

Modalidade: Presencial

Local: Avenida Independência 330/sala 410 – Porto Alegre/RS

Data de início: 09 de agosto de 2011

Dia da Semana: Terça-feira / tarde

Horário: 14:00 às 17:10 horas

Duração: 12 encontros

Carga Horária: 36 h/a presencial e 4h/a à distância

Para fazer sua inscrição é necessário pagar a taxa de matrícula. Quando a turma for confirmada você poderá pagar o restante do curso.

Obs: Caso a turma seja cancelada devolveremos o valor da matrícula (R$ 50,00) na íntegra.

Programa:

- Apresentação e disparo:

- Com o leitor:

- Quem lê? Para quem se escreve?:

- Viver a leitura:

- Sobre o escritor:

- Escrever e devir:

- O impessoal

- Mortes

- Artaud e o Pensamento

- Deleuze e o cinema

- Escrita e vida

- Leituras coletivas, avaliação e fechamento

Obs.:O que os alunos podem providenciar: folhas, bloco ou caderno. Lápis e caneta.

Certificado:

Será fornecido a todos que tiverem, no mínimo, 75% de frequência. Certificados reconhecidos por lei e válidos para concurso e/ou atividades complementares.

Professor:

Leonardo Martins Costa Garavelo - Possui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2007). Atualmente realiza mestrado no Programa de Pós-graduação em Psicologia Social e Institucional na UFRGS e cursa a Especialização Instituições em Análise (ESADE). Tem experiência em Psicologia Social e Institucional, trabalhando em projetos relacionados à arte, loucura, saúde coletiva e comunidades.

O Valor do curso pode ser pago pelo pagseguro à vista ou parcelado (cartão de crédito)

Para o pagamento no boleto, somente à vista.

Matrícula
R$ 50.00
Faça login para se inscrever

Valor
R$ 250.00

Total
R$ 300.00

Sobre Maconha

-  Acaso já viu um estudante usuário melhorar suas notas na escola?
-  Acaso já viu um pai usuário aumentar o amor e a harmonia no lar e na família?
-  Acaso já viu um profissional usuário melhorar o desempenho em sua profissão?
-  Acaso já viu homens viciados felizes rapaz?
Você pode fazer a diferença!
               Nenhum de nós pode dizer com 100% de certeza que a droga nunca fará parte da vida de alguém que amamos,
sejam nossos filhos, netos, irmãos, primos e amigos, ou simplesmente o filho do seu vizinho, talvez você pense que não tem nada a ver só porque ele é seu vizinho? Engano seu! Pela lei do retorno o que não queremos para nós não podemos desejar para o outro, que não deixa de ser nosso irmão divinamente. É por isso que estamos enviando a você está divulgação, este convite, para a Caminhada Nacional Contra a Liberação da Maconha! Até porque dificilmente um usuário de droga não teve seu começo com a maconha.
            Pense nisso, se você acha que não vai fazer a diferença, veja só:
Se você mandar para DEZ pessoas e cada uma delas mandar para mais DEZ e DEZ... Quando estiver na 5ª sequência nós teremos atingido 100.000 ( CEM MIL ) pessoas! Se você não pode participar, ajude divulgando para mais pessoas. Você viu como pode fazer a diferença!?
VAMOS JUNTOS LUTAR PELA VIDA!


Acesse:
http://www.pelavida.org<http://www.pelavida.org/>

terça-feira, 26 de julho de 2011

Heterossexualidade e poder

Profa. Dra. Berenice Bento/UFRN*

Até pouco tempo escutávamos que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. Também era um costume lavar a honra com o sangue da mulher assassinada. Casos de mulheres assassinadas por seus parceiros dificilmente chegavam à justiça. Nas últimas décadas houve uma proliferação de movimentos e estudos mostrando que o espaço da casa, o lar doce lar, é marcado pela violência e que para alterar hábitos seculares era importante combinar ações dos movimentos sociais com políticas públicas que objetivassem acabar com violência no espaço familiar, ao mesmo que se aprovaram leis que penalizam os criminosos. Portanto, o espaço doméstico tem sido um dos lugares mais normatizados pelo Estado nas últimas décadas, a exemplo da Lei Maria da Penha e do Estatuto da Infância e Adolescente. Quando a Presidenta Dilma afirma que “não podemos interferir na vida privada das pessoas”, contraditoriamente, esquece o papel fundamental do Estado brasileiro, pressionado por movimentos socais, na transformação desse espaço.
Nesse processo histórico de politização do privado, a violência contra os filhos e as filhas homossexuais passou a ter visibilidade. O que pode um pai e uma mãe contra um filho homossexual? Tudo? Se o argumento for pelo costume, ou seja, aquilo que tem força reguladora das relações entre as pessoas pela repetição, então, neste, caso, os pais podem tudo, principalmente contra filhos não heterossexuais. E, de fato, as pesquisas mostram a violência brutal dos pais que descobrem que seus filhos são gays, lésbicas ou transexuais ou travestis. A resposta costumeira para esta descoberta tem sido a expulsão de casa. Pela declaração da Presidenta, nada se poderá fazer. Mas a família não está só na tarefa de preservação do “costume heterossexual”, tem como aliada outra instituição poderosa: a escola.
As inúmeras teses e pesquisas produzidas por pesquisadores/as de universidades brasileiras apontam que a escola é um dos espaços mais violentos para crianças que apresentam comportamentos “não adequados” para os “costumes heterossexuais”. Não basta falar de bullying, palavra asséptica, que não revela o heteroterrorismo a que estas crianças e adolescentes são submetidos. A reiteração de agressões verbais e físicas contra meninos femininos e meninas masculinas desfaz qualquer ilusão de que a heterossexualidade é um dado natural. Desde que nascemos somos submetidos diariamente a um massacre: “comporte-se como menina, feche as pernas, seja homem, menino não chora”. A produção da heterossexualidade é um projeto diário e violento.
Imaginem o sofrimento de um estudante que precisa freqüentar a escola, mas sabe que ali será agredido física e psicologicamente. Uma das mulheres transexuais que entrevistei afirmou: “Era um horror. Na hora do recreio eu ficava sozinha. Ninguém brincava comigo. Eu me sentia uma leprosa. Por várias vezes, a professora viu os meninos me xingando de viadinho e ela só fazia ri.” O riso da professora seria um costume? Desnecessário afirmar que esta mulher transexual, como tantas outras, não conclui seus estudos. Os indicadores de sucesso e fracasso escolar, ou evasão, subestimam a variável violência homofóbica.
Muitos professores argumentam que não têm instrumentos didático-pedagógicos para fazer uma reflexão com seus estudantes sobre respeito e diversidade sexual.
A disputa que assistimos em torno do material pedagógico Escola Sem Homofobia nos revela que produção da heterossexualidade não tem nada a ver com “costumes” inseridos no âmbito do privado, mas com poder. A bancada religiosa do Congresso Nacional sabe muito bem disso. Sabe que a produção de uma pessoa heterossexual é um projeto que deve contar com o apoio absoluto de todas as instituições: a família, a escola e, claro, os representantes do Estado.
*Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Coordenadora do Núcleo Tirésia-UFRN

Publicada em: 02/06/2011 às 12:00 artigos e resenhas

CLAM