quarta-feira, 29 de novembro de 2017

3 séries NETFLIX que são um tratado sobre o inconsciente humano


Josie Conti

Por

Josie Conti

“Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamá-lo de destino.”Carl Gustav Jung.*

Diz o ditado que precisamos comer um saco de sal ao lado de uma pessoa para que possamos conhecê-la. Mas será que, mesmo assim, nós somos capazes de realmente conhecê-la? Será que nós mesmos nos conhecemos?

Com sugestões minhas e do psicólogo Pedro Leite, do Psicologias o Brasil, seguem 3 séries  que indicamos abaixo. Todas foram recentemente incluídas no catálogo Netflix, enriquecem qualquer pessoa interessada no comportamento porque investigam profundamente o que há abaixo da ponta do iceberg que pensamos conhecer.

A intersecção do enredo das séries são atos de violência que, mesmo de maneiras diferentes e decorrente de causas diversas, aparece como válvula de escape para situações relacionadas a história de vida de seus personagens.

No fim de cada episódio nós mesmos nos perguntamos do que seríamos capazes se fossemos levados ao extremo de nossa tolerância? Como seríamos se tivéssemos sido criados de maneira diferente ou passado por situações traumáticas em alguma fase do nosso desenvolvimento onde algo alicerçal estava sendo formado?

Da neurose a psicopatia, o convite dos enredos é para reflexão e aprendizagem. Mais do que respostas, essas séries talvez tragam mais e mais perguntas….e é aí que mora a sua grandeza!

Abaixo, imagens e sinopses de divulgação. Nem preciso falar que ela não fazem justiça às histórias.

1- Alias Grace

Grace Marks (Sarah Gadon) é uma jovem irlandesa de classe média baixa, que decide tentar a vida no Canadá. Contratada para trabalhar como empregada doméstica na casa de Thomas Kinnear (Paul Gross), ela é condenada à prisão perpétua pelo assassinato brutal do seu patrão e da governanta da casa, Nancy Montgomery (Anna Paquin). Passados 16 anos desde o encarceramento da imigrante, o Dr. Simon Jordan (Edward Holcroft) se apaixona por Grace e fará de tudo para descobrir a verdade sobre o caso.

2- Mindhunter (primeira temporada disponível)

Baseado no livro best-seller do NYT, que relata os anos que John Douglas passou perseguindo serial killers e estupradores, desenvolvendo seus perfis para prever seus próximos passos. A série discutirá alguns de seus casos mais publicizados, como o homem que caçava prostitutas no Alaska, o assassino de crianças de Atlanta e o matador de Green River.

3- The Sinner

A investigação acerca de um crime precisa acabar quando se sabe qual foi o crime e quem foi o criminoso? Quando uma jovem mãe de família comete um crime nefasto em público e se vê incapaz de explicar o motivo que a levou áquele estado de fúria súbito, um investigador se torna cada vez mais obcecado em entender as profundezas da psique da mulher, desenterrando os momentos de violência que ela tenta manter no passado, longe dos olhos do mundo.

THE SINNER — “Pilot” Episode 101 — Pictured: (l-r) — (Photo by: Brownie Harris/USA Network)

*A frase inicial foi usada como citação em um texto sobre The Sinner, de Débora Oliveira, que foi a inspiração para escrever essa pequena trilogia de sugestões. Sinopses Adoro Cinema.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

14 filmes reais absolutamente imperdíveis para amantes de psicologia


Vanelli Doratioto

Por

Vanelli Doratioto

O cinema se debruçou com maestria sobre transtornos mentais para compor suas películas. Existe hoje uma lista quase infinita de filmes que tratam deles, no entanto, escolhi mostrar aqui apenas filmes baseados em fatos reais, cujos personagens de carne e osso, tiveram suas vidas marcadas por transtornos psicológicos. Alguns filmes estão disponíveis na Netflix, outros na internet, mas absolutamente todos são imperdíveis para quem se interessa por psicologia, psiquiatria e psicanálise.

1 – Amadeus (1984) / Transtorno Bipolar

Após tentar o suicídio, Antonio Salieri resolve confessar a um padre que foi o responsável pela morte do gênio Wolfgang Amadeus Mozart, contando em detalhes como conheceu, conviveu e lentamente viu crescer seu ódio pelo jovem criativo que, segundo ele, compunha como se sua música tivesse sido abençoada pelo próprio Deus. Baseado na peça de Peter Shaffer e com o roteiro escrito pelo próprio Shaffer, “Amadeus” nos conta a vida de Mozart sob o ponto de vista de Salieri, um compositor de talento que jamais conseguiu se igualar à genialidade de Mozart. Nesse filme é possível notar em várias cenas que Mozart tinha o que hoje os psiquiatras chamam de Transtorno Bipolar. Disponível na Netflix.

2 – Gia – Fama e Destruição (1998) / Personalidade Borderline

Quando Gia Carangi (Angelina Jolie) chegou a Nova York pela primeira vez, ela era apenas mais um rosto bonito em busca do sonho de se tornar modelo. A personalidade eletrizante e a potente sexualidade de Gia rapidamente a colocaram no caminho das capas das revistas mais caras. Mas ser amada pelo mundo não foi suficiente para impedir que o desejo de Gia a levasse a lugares perigosos. Gia Carangi provavelmente era vítima de Transtorno de Personalidade Limítrofe (ou Borderline), não diagnosticado na época. Filme ótimo com atuação maravilhosa de Angelina Jolie.

3 – Garota Interrompida (1999) / Personalidade Borderline e Sociopatia

Em 1967, após uma sessão com um psicanalista que nunca havia visto antes, Susanna Kaysen foi diagnosticada como vítima de Transtorno de Personalidade Limítrofe (ou Borderline). Enviada para um hospital psiquiátrico, onde viveu nos dois anos seguintes, ela conhece um novo mundo, de jovens garotas sedutoras e transtornadas. Entre elas está Lisa Rowe, uma charmosa sociopata que organiza uma fuga com Susanna, Georgina e Polly, com o intuito de retomarem suas vidas. O filme foi baseado no livro biográfico, de mesmo título, escrito por Susanna no qual ela relata suas experiências em um hospital psiquiátrico na década de 60.

4 – Iris (2001) / Alzheimer

Esse filme conta a história de amor entre a novelista e filósofa Iris Murdoch e seu marido, o professor de Oxford John Bayley, narrada em duas épocas distintas: na juventude, quando se conheceram, e na velhice, quando Iris sofre do mal de Alzheimer. Nesse filme a frase “até que a morte os separe” é levada a sério pelos protagonistas que se amam de forma irrestrita nos dias bons e nos dias mais difíceis.

5 – Uma mente brilhante (2001) / Esquizofrenia

John Nash é um matemático prolífico com uma carreira acadêmica respeitável. Nash resolveu na década de 1950 um problema relacionado à teoria dos jogos, o que lhe garantiu grande prestígio. No entanto, ao ser chamado para fazer um trabalho de criptografia para o Governo dos Estados Unidos, Nash passa a ser atormentado por delírios e alucinações. Diagnosticado como esquizofrênico, e após várias internações, ele precisará usar toda a sua racionalidade para distinguir o real do imaginário. Filme imperdível baseado na biografia de John Nash escrita por Sylvia Nasar.

6 – As horas (2001) / Depressão

Esse filme é um tratado sobre a depressão. Virginia Woolf está paralisada como escritora em toda a ação do filme. Já a personagem vivida por Julianne Moore, a americana típica dos anos 50, tem uma família comum, uma vida comum, tudo em um cenário neutro, sem conflitos, e vive mergulhada em uma depressão que parece contraditória à felicidade vendida pelo “american way of life”. E por fim vemos no filme a belíssima Meryl Streep como uma descolada mulher nova-iorquina que tem uma companheira compreensiva, uma filha adorável e um antigo amor à beira da morte e que também sofre de depressão. Dentre outras coisas, o filme é extremamente feliz ao mostrar como o entendimento da depressão modificou-se com o passar dos anos.

7 – Prenda-me se for capaz (2003) / Transtorno de personalidade antissocial (sociopatia)

Frank Abagnale Jr. (Leonardo DiCaprio) já foi médico, advogado e co-piloto, tudo isso com apenas 18 anos. Mestre na arte do disfarce, ele aproveita suas habilidades para viver a vida como quer e praticar golpes milionários, que fazem com que se torne o maior ladrão de banco da história dos Estados Unidos com apenas 17 anos. Mas em seu encalço está o agente do FBI Carl Hanratty (Tom Hanks), que usa todos os meios que tem para encontrá-lo e capturá-lo. Atualmente Frank William Abagnale Jr. preside a Abagnale and Associates, uma empresa de consultoria contra fraudes financeiras. O filme foi baseado em uma biografia sua não autorizada. O comportamento de Frank nos leva a crer que ele sofre de Transtorno de personalidade antissocial (sociopatia). Disponível na Netflix.

8 – Jornada da alma (2003) / Transtorno de personalidade histriônica

Em 1905 Sabina (Emilia Fox), uma jovem russa de 19 anos que sofre de histeria (transtorno de personalidade histriônica), recebe tratamento em um hospital psiquiátrico de Zurique, na Suíça. Seu médico, o jovem Carl Gustav Jung (Iain Glen), aproveita o caso para aplicar pela primeira vez as teorias do mestre Sigmund Freud. A cura de Sabina vem acompanhada de um relacionamento amoroso com Jung. Após alguns anos ela volta à Rússia, tornando-se também psicanalista e montando a primeira creche que usa noções de psicanálise para crianças. Décadas após sua morte, ela tem sua trajetória resgatada por dois pesquisadores.

9 – Loucos de amor (2005) / Síndrome de Asperger

Donald Morton (Josh Hartnett) e Isabelle Sorenson (Radha Mitchell) sofrem da síndrome de Asperger. Donald trabalha como motorista de táxi, adora os pássaros e tem uma incomum habilidade em lidar com números. Ele gosta e precisa seguir um padrão em sua vida, para que possa levá-la de forma normal. Entretanto ao conhecer Isabelle, em seu grupo de ajuda, tudo muda em sua vida, pois ele se apaixona por ela. O filme foi inspirado na vida real do casal Jerry Newport e Mary Meinel (agora Mary Newport).

10 – O aviador (2005) / TOC – Hipocondria

Howard Hughes (Leonardo DiCaprio) ficou milionário já aos 18 anos, devido à herança que seu pai, um inventor texano, deixou para ele. Pouco depois se mudou para Los Angeles, onde passou a investir na indústria do cinema. Hughes ajudou a carreira de vários astros, como Jean Harlow, e ainda trabalhou em filmes de grande sucesso, como “Hell’s Angels”, o qual dirigiu. Paralelamente se dedicou a uma de suas maiores paixões, a aviação, e se envolveu com atrizes como Katharine Hepburn e Ava Gardner. DiCaprio dá a Howard Hughes um tom perfeito, extremamente cuidadoso nos pequenos detalhes, principalmente em suas crises hipocondríacas. A cena em um banheiro, por exemplo, onde lava as mãos com seu próprio sabonete, usa uma tolha limpa e fica esperando que alguém abra a porta para sair sem tocar na maçaneta é impressionante.

11 – Sybil (2007) / Transtorno de múltiplas personalidades

Nesse filme Sybil é uma estudante da universidade de Columbia que sofre de transtorno dissociativo de identidade. A psiquiatra Cornelia Wilbur é a encarregada do caso da jovem e durante o tratamento descobre vários abusos sofridos por sua paciente no passado. Sybil é um filme baseado no livro de 1973, de mesmo nome, escrito por Flora Rheta Schreiber no qual é contada a história de Shirley Ardell Mason, nascida em 1923 no estado de Minnesota. Sua história é o mais famoso caso de personalidade múltipla já registrado.

12 – Temple Grandin (2010) / Síndrome de Asperger

Esse filme é uma cinebiografia da jovem autista Temple Grandin (Claire Danes). Ela tinha uma maneira particular de ver o mundo, o que a fez se distanciar das pessoas, mas isso não a impediu de conseguir, dentre outras coisas, seu doutorado. Com uma percepção de vida totalmente diferenciada, dedicou-se aos animais e revolucionou os métodos de manejo do gado com técnicas que surpreenderam experientes criadores. O filme é uma lição de vida e a atriz Claire Danes está sensacional nele.

13 – Sete dias com Marilyn (2010) / Personalidade Borderline

Em 1956 quando Arthur Miller, o novo marido de Marilyn, deixa a Inglaterra, Colin (Eddie Redmayne), um auxiliar de estúdio, decide mostrar a ela os prazeres da vida britânica. Essa torna-se uma semana idílica na qual Colin convive com uma grande estrela ansiosa para fugir dos holofotes de Hollywood. A protagonista que vemos no filme (Michelle Williams) é tão linda e sensual, quanto insegura e volátil. Assim era Marilyn na vida real. Muito da vida de Marilyn nos leva a crer que ela era vítima de Transtorno de Personalidade Limítrofe (ou Borderline), algo evidente no filme. Disponível na Netflix.

14 – Sentimentos que curam (2015) / Transtorno Bipolar

A história gira em torno do casal formado por Ruffalo e Zoe Saldana, que teve duas filhas apesar do fato dele ser maníaco-depressivo desde jovem. Esse é um filme autobiográfico. A diretora Maya Forbes se baseou na história real de seu pai, Donald Cameron Forbes, para escrever o filme no qual é interpretada pela própria filha na vida real. Maya quis fazer um retrato afetuoso do pai e conseguiu. No filme vemos a história de um homem com transtornos psicológicos que é salvo pelo amor. O efeito colateral dessa abordagem pode estar na visão demasiadamente romantizada da bipolaridade, mas o filme vale muito a pena.

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Relatório anual da ASSOBECATY só nos resta uma palavra GRATIDÃO

Relatório

Folhar retrospectivamente agendas de nossas atividades de 2015, vai muito além de celebrar um ano de visibilidade e destaque para a cultura de Matriz africana no estado, mas um ano que construímos juntos em temas que são tão caros para a humanidade:

Relatório1

Aos parceiros,Jefe Mendes e Greice Oliveira que foram até ás 4hs da madrugada . Que pai Oxalá e Mãe Yemanjá, retribua-os de axé.
Obrigado a tooooooooodos, os parceiros

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Primeiro Ponto de Cultura de matriz africana do Rio Grande do Sul promove atividades na CCMQ

Estão previstos: exposição, grupo de dança, contação de histórias e gastronomia para mostrar o trabalho do centro que une cultura, religião e trabalho social

Dar visibilidade à riqueza da questão afro e mostrar os aspectos positivos da experiência como Ponto de Cultura é o objetivo da exposição “Ilê-Ifé – O Sagrado aos Olhos Humanos”, cuja abertura será no dia 16 de abril, no Espaço Majestic da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), com várias atividades. A promoção é do Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural, que funciona no bairro Santa Rita, em Guaiba, que com o projeto pretende abranger os aspectos sagrado e cultural. A mostra dinâmica prevê apresentações musicais, de dança, narrativas e também ExposiçãoIlêIfé (1)comidas típicas. O evento é aberto e gratuito

O programa começa com a dança dos orixás, do grupo de dança Ododuá; performance do grupo Ilê Axé Cultura; o afoxé de crianças do Ponto Cultural, que inicia com percussão,  passa pela capoeira e inclui Alabês de Toques  Sagrados. As variadas expressões se fazem presentes nas lendas e contação de histórias míticas, com o grupo Canta que Eu Conto, fazendo costura do que as pessoas veem e mitos sagrados. Kalunga contará os dilemas da diáspora dos negros; e a seguir tem vez a capoeira de rua do Discípulos de Oxóssi, diferente da de Angola e regional; e hip hop, com o oficineiro  Peh .

 

O encerramento é com um coquetel afro, composto por comidas típicas: “ajeun” – canjica com leite de coco, coco, gemada e leite condensado, pipocas, “amalá” – temperos, frutas, carne, pirão e molho, oferecidos a Xangô, “atãn” – suco com mistura de muitas frutas,, bolo, balas e frutas. ”Nosso ponto é PT é um mosaico cultural africano, tem um pouco de pouco, da ludicidade. Os valores q permeiam estão ali: o coletivo, o alimento, a dança, a oralidade através da contação de histórias – remontar o mundo africano através destes valores, tanto na música, sagrado, etc. Assim a gente vive no ponto,apresentando os valores às pessoas de como é esta vivência africana e os elementos que compõe esta cultural. 

O termo Ilê ifé remete a uma cidade africana, onde tiveram início as primeiras tribos, que dá nome à casa de religião de matriz africana, com 82 anos de existência. Ela foi  reconhecida como a primeira casa de matriz africana que funciona como Ponto de Cultura, com investimento do Estado, através do edital da Secretaria de Estado da Cultura/Sedac de Pontos de Cultura 189/2013, de três anos. “Temos compromisso de mostrar que deu certo esta experiência pra que outras casas possam acessar estes recursos”, diz Mãe Carmen da Oxalá. Psicóloga de formação, Carmen Lúcia Silva de Oliveira sucedeu sua mãe, no ano de 2000, o comando da instituição, que atende projeto conveniado à Conab. Este atinge cerca de 6 mil pessoas em Guaíba e envolve a área de saúde e alimentação, no seguimento à sopa das crianças, idealizado por sua mãe. Atende toda a comunidade Ajeum ilera, de alimento para todos e projeto relacionado ao HIV, de prevenção e com metodologia, que possui convênio com o Governo Estadual, dentro dos ilês de Guaíba, São Leopoldo e Porto Alegre.

 

A ação envolve capacitação e instrumentalização, no encorajamento para o líder religioso se posicionar diante da epidemia, contrariando o silêncio nos centros de religião, até o momento. “O link do mundo religioso, prático e cotidiano é necessário, como por exemplo, da proteção, porque não adianta proteção no plano espiritual se a pessoa não se protege com camisinha”, enfatiza Carmen. O local é dotado de Telecentro conveniado com Ministério das Comunicações, com 12 máquinas que propiciam inclusão digital para a comunidade, com acesso livre nas máquinas,  há três anos. Pesquisa, lazer e jogos estão à disposição das crianças, para que se apropriem. Outros atrativos são as salas de cinema, leitura (minibiblioteca) – o telecentro resultou de uma biblioteca que já existia. A biblioteca foi fundada em 1994 e potencializada em 2013 para Telecentro e Biblioteca Moabi Caldas. “Temos uma responsabilidade muito  grande em função de ser o primeiro. Nosso papel é fazer o máximo para q tenhamos ter certeza de que fizemos nosso papel, cumprimentos nosso plano e que esta experiência pode dar certo”, pondera a coordenadora.

 

Serviço:
Exposição Ilê-Ifé O Sagrado aos Olhos Humanos
Abertura: 16 de abril (sábado), das 14h às 19h30min.
Local: espaço Majestic – térreo da Casa de Cultura Mario Quintana/CCMQ (Andradas, 736)
Visitação: Até 1º de maio. Terças a sextas, das 9h às 21h e sábados, domingos e feriados, das 12h às 21h.


Informações: Facebook – Pontodeculturaileaxecultural-assobecaty


Entrada franca, aberta a todos os interessados.

Exposições « Casa de Cultura Mario Quintana www.ccmq.com.br/site/category/programacao/exposicoes/

sábado, 26 de setembro de 2015

Telecentro e Biblioteca Moab Caldas ASSOBECATY

  

A chuva e a espera para chegar a hora de sair para o 8º Alujá na Pedra de Xangô, levantaram a ansiedade da gurizada  que compõe o Grupo de Afoxé Ilê Axé Cultural. Diante, desta situação a saida foi pegar um computador do Telecentro e Biblioteca Moab Caldas.IMG_6428

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domingo, 19 de julho de 2015

Quer aprender ritmos ? Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural abriu inscrições para oficina de percussão!

IMG_5149 Quer aprender ritmos ? O Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural ASSOBECATY abriu inscruções para oficina de percussão, com o início previsto para 25 de julho.

Os interessados poderão se inscrever na  Rua . Wenceslau Fontoura 226,Jardim Santa Rita. 

sexta-feira, 17 de julho de 2015

ASSOBECATY 80 anos de história entre o Sagrado e o Social na Assembléia Legislativa

ASSOBECATY 80 anos de história entre  o Sagrado e o Social  – Em exposição na “Galeria dos Municípios” na Assembléia Legislativa. A história da casa tradicional de matriz africana Associação Beneficente Cultural Africana Templo de Yemanja  estará em exposição no espaço “Galeria dos Municípios” da Assembléia Legislativa do estado de 20 a 24 de julho. A abertura oficial da exposição será em 20  de julho  às 17 :00 horas.

Estarão em exposição painéis com fotos dos principais trabalhos sociais  desenvolvido ao longo de sua história, bem como seus eventos. Todos que forem a Capital neste período estão convidados a visitar a exposição

Exposição ASSOBECATY 80 Anos; Território Sagrado e Social

sexta-feira, 27 de março de 2015

PONTO DE CULTURA ILÊ AXÉ CULTURAL -ASSOBECATY, LANÇA EDITAL DE CONTRATAÇÃO !

PONTO DE CULTURA ILÊ AXÉ CULTURAL - ASSOBECATY , LANÇA EDITAL DE CONTRATAÇÃO !

PROCESSO SELETIVO PÚBLICO Nº 001/2015

A Sociedade Beneficente Cultural Africana Templo de Yemanjá - ASSOBECATY, entidade privada sem fins lucrativos, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica do Ministério da Fazenda sob o no 91.655.944/0001-52, com sede na Rua Wenceslau Fontoura No 226, CEP 92500-000, Guaíba / RS, torna público, para o conhecimento dos interessados, que fará realizar a seleção de :
01 (um) Coordenador(a) Articulador(a) de Rede, 01 (um) Assessor(a),
01 (um) Oficineiro de Capoeira,
01 (um) Oficineiro de Hip-Hop,
01 (um) Oficineiro de Alabê,
01 (um) Oficineiro de Percussão/ritmos,
01 (um) Oficineiro de Artesanato/confecção de instrumentos com material reciclável, no âmbito do convênio no 189/2013 – Projeto Ilê Axé Cultural, celebrado com o Estado do Rio Grande do Sul, por intermédio da Secretaria da Cultura.

CLIQUE NO LINK ABAIXO PARA ACESSAR O EDITAL :

EDITAL DE CONTRAÇÃO - PROCESSO SELETIVO - PONTO DE CULTURA ILÊ AXÉ CULTURAL - ASSOBECATY http://ow.ly/KX9gl

 

PONTO DE CULTURA ILÊ AXÉ CULTURAL ASSOBECATY: PONTO DE CULTURA ILÊ AXÉ...

PONTODECULTURAASSOBECATY.BLOGSPOT.COM|POR ASSOBECATY - ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE CULTURAL AFRICANA TEMPLO DE YEMANJÁ

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

HOJE É DIA DE LEMBRAR O NASCIMENTO DE NISE SILVEIRA CHOCOU: RECUSOU-SE A DAR CHOQUE

Salve a grande Doutora Nise da Silveira, com quem tive o enorme prazer de trabalhar e dividir gostosas gargalhadas. PARABENS PELO SEU DIA, ALAGOANA ARRETADA!!!


Em vez de quilos de remédios e eletrochoques, ela preferiu dar tinta, pincel e barro aos pacientes. Fundou o Museu de Imagens do Inconsciente

Enciclopédia Nordeste: Biografia de Nise da Silveira -http://migre.me/dg0gA

NISE CHOCOU: RECUSOU-SE A DAR CHOQUE<br /><br />Hoje é dia lembrar o nascimento da psiquiatra alagoana. Em vez de quilos de remédios e eletrochoques, ela preferiu dar tinta, pincel e barro aos pacientes. Fundou o Museu de Imagens do Inconsciente<br /><br />Enciclopédia Nordeste: Biografia de Nise da Silveira -  http://migre.me/dg0gA

O Nordeste Portal

NISE CHOCOU: RECUSOU-SE A DAR CHOQUE

Hoje é dia lembrar o nascimento da psiquiatra alagoana. Em vez de quilos de remédios e eletrochoques, ela preferiu dar tinta, pincel e barro aos pacientes. Fundou o Museu de Imagens do Inconsciente

Enciclopédia Nordeste: Biografia de Nise da Silveira - http://migre.me/dg0gA

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

ASSOBECATY–PERMANECE COM ACENTO NO CONSELHO MUNICIPAL DE SAÚDE DE GRAVATAI

A participação da ASSOBECATY, no Conselho de Saúde de Gravatai, acontece desde  maio de 2012, quando a entidade realizou no municipio o Projeto Piloto  Roda de Conversa o Batuque do Sul Promovendo a Vida Na ocasião foi solicitado um acento para a cabeça da Rede Estadual úcleo de Ilês Afro Aids. Associação  reafirma seu interesse de manter o acento no CONSELHO MUNICIPAL DE SAUDE DE GRAVATAI, o Conselheiro que representa a entidade no conselho o Sr. Geraldo Leal , vai ser substituído pelo senhor Marco Antônio Oliveira de Almeida. A avaliação, aconteceu na sexta feira 08/08 na sede da entidade onde houve avaliação e reafirmação do interesse manter o acento para contribuir nas decisões das políticas de saúde e fortalecer o controle social..

Foto: ASSOBECATY reafirma seu interesse de manter o acento no CONSELHO MUNICIPAL DE SAUDE DE GRAVATAI, o  Conselheiro que representa a entidade no conselho o Sr. Geraldo Leal , vai ser substituído pelo senhor  Marco Antônio Oliveira de Almeida. A  avaliação,  aconteceu na sexta feira 08/08 na sede da entidade onde houve avaliação  e reafirmação do interesse  manter o acento para contribuir nas decisões das políticas de saúde e fortalecer o controle social..

domingo, 1 de junho de 2014

Bolo de Aniversário da ASSOBECATY 80 anos!!! : Hummm Bolo delicioso!!!

Bolo de Aniversário da ASSOBECATY 80 anos!!! : Hummm Bolo delicioso!!! Com esta foto abrimos uma sequência de fotos que marcam as celebrações de 80 anos de resistência , 26 de identidade jurídica da casa tradicional de matriz afro ASSOBECATY.

Foto: Bolo de Aniversário da ASSOBECATY  80  anos!!! : Hummm  Bolo delicioso!!!  Com esta  foto abrimos   uma sequência de fotos que marcam as celebrações de 80 anos de resistência , 26 de identidade juridica da casa tradicional de matriz afro ASSOBECATY.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Saí, a logomarca do Telecentro e Biblioteca Moab Caldas

 

Foto: Saí, o logo! Em clima de festa, a comunidade da casa tradicional ASSOBECATY, comemora um ano de funcionamento do telecentro no axé, de presente elaboram o logo do TELECENTRO E BIBLIOTECA MOAB CALDAS. A iniciativa também, faz parte das celebrações dos 80 anos de resistência e 26 anos de identidade jurídica da ASSOBECATY.Saí, o logo! Em clima de festa, a comunidade da casa tradicional ASSOBECATY, comemora um ano de funcionamento do telecentro no axé, de presente elaboram o logo do TELECENTRO E BIBLIOTECA MOAB CALDAS. A iniciativa também, faz parte das celebrações dos 80 anos de resistência e 26 anos de identidade jurídica da ASSOBECATY.

terça-feira, 18 de março de 2014

Fica em Guaíba a primeira casa de matriz africana do Rio Grande do Sul a obter o reconhecimento como Ponto de Cultura.

Data:18/mar/2014, 8h13min

Pontos de Cultura atendem a um direito básico do cidadão, como a saúde e a escola

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A tribo Oi Nóis Aqui Traveiz é  um dos grupos que integram os Pontos de Cultura e são beneficiados pelo governo do Estado | Foto: Pedro Isaías Lucas

A tribo Oi Nóis Aqui Traveiz é um dos grupos que integram os Pontos de Cultura e são beneficiados pelo governo do Estado | Foto: Pedro Isaías Lucas

Adélia Porto Silva

Eles têm poucos recursos, pouca visibilidade e quase nenhum apoio, mas desempenham um trabalho persistente, importante e corajoso. São grupos de cidadãos que militam em atividades culturais como música, dança, teatro, mas também em ações de educação ou de economia solidária. Compõem uma rede informal de rica diversidade cultural e são fortemente vinculados às comunidades a que pertencem. Desde 2012, esses grupos culturais estão podendo receber apoio financeiro e acompanhamento técnico por parte do governo estadual, em convênio com o governo federal, através do Programa Rede RS de Pontos de Cultura.

Na segunda semana de fevereiro, por exemplo, 43 representantes de grupos participaram na Casa de Cultura Mario Quintana de um curso de formação em gestão cultural, promovido pela Secretaria de Cultura. O curso, que tem um módulo presencial de três dias e outro à distância, com duração de dois meses, trata de temas como economia da cultura, planejamento e gestão cultural, prestação de contas e aspectos jurídicos. O objetivo, diz o diretor de Cidadania e Diversidade Cultural, da Secretaria de Cultura, João Pontes, é ajudar a instrumentalizar os grupos para o gerenciamento, geração de recursos, busca de novos caminhos e oportunidades. “É a sociedade que produz cultura”, diz Pontes. “O Estado oferece apoio”.

Na segunda semana de fevereiro,  43 representantes de grupos participaram na Casa de Cultura Mario Quintana de um curso de formação em gestão cultural | Foto: Sedac / Divulgação

Na segunda semana de fevereiro, 43 representantes de grupos participaram na Casa de Cultura Mario Quintana de um curso de formação em gestão cultural | Foto: Sedac / Divulgação

O programa Pontos de Cultura nasceu como política de base do Cultura Viva, do Ministério da Cultura, em 2004, na gestão de Gilberto Gil, para reconhecer, apoiar e articular projetos culturais já existentes nas comunidades. Alguns municípios gaúchos chegaram a fazer convênios isoladamente com o governo federal, dentro do programa – cerca de 40. Mas em 2012, o governo do Estado assinou com o MinC um convênio pelo qual ambas as esferas passam a atuar em conjunto, oferecendo fomento financeiro e apoio aos grupos, selecionados em editais. O governo federal participa com 80% dos recursos e o Estado, com 20%, num total de 18 milhões para 160 grupos selecionados. Projetos de municípios com até 10 mil habitantes recebem 60 mil reais em parcelas durante três anos. Os de cidades com mais de 10 mil habitantes recebem 180 mil reais por igual período de tempo. Os recursos se destinam em parte à aquisição de equipamentos e o restante, ao custeio. Um primeiro edital selecionou 82 grupos culturais em todo o RS. Outro edital, em fevereiro passado, previu a seleção de 78 novos grupos. Ao ter seu projeto de trabalho escolhido, o grupo é reconhecido pelo programa como Ponto Cultural, um reconhecimento que funciona como qualificação. O Rio Grande do Sul foi um dos últimos estados, junto com o Paraná, a aderir ao programa federal.

Desenvolvimento e cidadania

O programa deixa de considerar a cultura como bem periférico para as pessoas e passa a tratá-la como parte integrante da vida da comunidade. “A cultura está na pauta do desenvolvimento do Estado”, argumenta João Pontes, da Sedac. “A ideia é que a cultura gera renda, emprega pessoas, movimenta a economia de diferentes formas e contribui para a inclusão social”. Dados de pesquisa mostram que 7% da economia brasileira são vinculados à cultura, o que acompanha a média mundial.

João Pontes: “A cultura está na pauta do desenvolvimento do Estado” | Foto: Divulgação

João Pontes: “A cultura está na pauta do desenvolvimento do Estado” | Foto: Divulgação

Os grupos que estão tendo sua importância reconhecida são, diz João Pontes, “historicamente excluídos de tudo – das políticas públicas, do financiamento e dos meios de comunicação privados”. A grande indústria cultural os relega a uma condição de invisibilidade. A nova visão sobre a questão pretende compreender os direitos culturais como prevê a Constituição: bens e serviços culturais são direitos sociais básicos. “Os Pontos de Cultura dentro dos sistemas estadual e federal cumprem o mesmo papel que o posto de saúde e a escola”, diz Pontes.

Para o coordenador do projeto na Secretaria da Cultura, Ricardo Oliveira, “o Estado não tem a capacidade nem a atribuição de fazer cultura. Quem faz cultura são o cidadão e as comunidades. Cabe ao Estado a ação política para estimular a cidadania cultural”. Oliveira considera que o saldo mais importante dessa política é a articulação em rede e a possibilidade dos grupos se encontrarem, trocarem informações e experiências, verem a si mesmos, ganhando autonomia e reconhecimento. A distribuição dos Pontos de Cultura leva em conta a divisão territorial: cada uma das nove regiões funcionais do Estado tem um Ponto de Cultura. Existe também a preocupação de reconhecer como Ponto grupos estabelecidos nos Territórios da Paz, onde o governo procura atuar na área de segurança melhorando os serviços públicos e a qualidade de vida da população.

A noção de cultura merece um tratamento específico. Ela não se limita às manifestações artísticas. “Hoje se avança na construção de uma base teórica e conceitual da cultura”, diz Ricardo Oliveira. Na conceituação ampliada, a cultura perpassa questões de saúde, de economia solidária ou movimentos sociais e campesinos. Ou, segundo o próprio Gilberto Gil, “todo trabalho humano é para a cultura e pela cultura. A senhora que vai à missa, a outra que vai ao terreiro de candomblé, outro que vai ao futebol, outro que vai namorar, tudo isso é cultura”. A diversidade está representada nos projetos selecionados, que tanto podem ser grupos de tradição afro, quilombolas, indígenas, de economia popular solidária, meio ambiente, agricultura familiar, cultura digital, educação, música, dança, teatro. A exigência é que tenham o reconhecimento da comunidade.

Ilê Axé Cultural: em Guaíba, o resgate da tradição afro

Fica em Guaíba a primeira casa de matriz africana do Rio Grande do Sul a obter o reconhecimento como Ponto de Cultura. O convênio que cria o Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural foi assinado recentemente e a responsável pela casa, Carmem Lucia de Oliveira – Mãe Carmem de Oxalá, comemora: “Se chegamos até aqui sem recursos, a partir de agora nosso trabalho vai aparecer mais ainda”. A casa existe desde 1943 e tem uma longa tradição de serviço e de agregação social na comunidade do Jardim Santa Rita, em Guaíba. Mãe Carmem é sucessora de sua mãe e a casa sempre foi regida pela força feminina, tanto no campo espiritual quanto social. “Em pequena, via minha mãe receber e orientar muitas pessoas, principalmente mulheres”, conta, lembrando a atuação de guia solidária que a mãe desempenhava.

Mãe Carmem: “Nosso trabalho é ajudar a tornar digna a vida das pessoas” | Foto: Sedac / Divulgação

Mãe Carmem: “Nosso trabalho é ajudar a tornar digna a vida das pessoas” | Foto: Sedac / Divulgação

“Nosso trabalho é ajudar a tornar digna a vida das pessoas”, diz. Além de preservar e valorizar a cultura afro, devolvendo identidade e orgulho às pessoas, a casa oferece à comunidade oficinas e atividades práticas de aprendizado e de trabalho. Por iniciativa da Ilê Axè Cultural, foram identificadas e preservadas duas áreas na cidade – a Pedra de Xangô e a Gruta de Oxum, ambas na praia da Alegria – , espaços outrora habitados por negros escravizados. “Nossas atividades culturais desembocam nesses espaços”, diz ela. A casa dispõe de um telecentro aberto à comunidade. Com 11 máquinas, não dá para atender todos ao mesmo tempo, por isso existe um horário de uso. Quando o jovem deixa o computador para ceder o espaço a outro, vai para uma “roda de conversa”, que tem a coordenação de alguém do grupo, onde tem oportunidade de falar sobre temas de sua realidade e onde a questão da identidade é um dos assuntos que mais aparecem.

O projeto selecionado pelo programa é composto por três eixos: culturas populares – oficinas de capoeira, ritmos e danças; grupos étnicos culturais – resgate cultural, popularização das festas, exposições; e incubadora cultural, onde os jovens têm acesso a equipamentos como instrumentos musicais, máquinas fotográficas, filmadoras e equipamentos de som, oferecendo a possibilidade de projetarem o futuro. Uma das primeiras aquisições que a casa fará com os recursos repassados pelo projeto será aparelhos de ar condicionado que vão melhorar o conforto dos usuários no telecentro.

Com os recursos da Rede RS Pontos de Cultura, a tribo Oi Nóis Aqui Traveiz vai investir nas oficinas que oferece em alguns bairros de Porto Alegre | Foto: Pedro Isaías Lucas

Com os recursos da Rede RS Pontos de Cultura, a tribo Oi Nóis Aqui Traveiz vai investir nas oficinas que oferece em alguns bairros de Porto Alegre | Foto: Pedro Isaías Lucas

A história heroica do Ói Nóis Aqui Traveiz

Com uma história heroica de 35 anos, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz é um dos projetos reconhecidos pelo Rede RS Pontos de Cultura. Obter patrocínios não tem sido frequente na vida deste grupo que optou por subverter a estética e a experimentação teatral com base no teatro revolucionário e no pensamento do francês Antonin Artaud, ligado à arte surrealista e ao movimento anarquista. “O grupo tem desenvolvido ao longo do tempo diversas formas de sustentabilidade”, diz Marta Haas, que trabalha com a tribo desde 99, primeiro como aluna de uma das oficinas e agora dando aulas de iniciação teatral. Só depois de 28 anos de atuação, o grupo obteve um patrocínio – da Petrobras – que se manteve até o final do ano passado, custeando muitas das despesas. As pessoas mantêm atividades paralelas e não dependem financeiramente do trabalho que fazem no grupo. “Os recursos que virão agora vão garantir a continuidade de algumas oficinas em bairros”, diz Marta. Possibilitarão também qualificar o equipamento audiovisual do grupo. Ela acredita que, por ter sido reconhecido como Ponto de Cultura, Ói Nóis Aqui Traveiz terá mais facilidade em atuar em rede com outros grupos e com outros Pontos de Cultura.

O grupo teve como sede durante muitos anos a Terreira da Tribo, em mais de um endereço, na Cidade Baixa. Desde 2000, ocupa um espaço no bairro Navegante, onde funciona como Escola de Teatro Popular. Toda a organização do grupo é coletiva, desde a criação e montagem dos espetáculos à manutenção do espaço. As oficinas de formação de atores, uma das vertentes do trabalho do grupo, são gratuitas, em seis bairros da cidade.

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Tags: A história heroica do Ói Nóis Aqui Traveiz<, Casa de Cultura Mario Quintana, cidadania, Cultura Viva, dança teatro, diversidade cultural, Ilê Axé Cultural, Música, Pontos de Cultura, territórios da paz

2 comentários para “Pontos de Cultura atendem a um direito básico do cidadão, como a saúde e a escola”

Fica em Guaíba a primeira casa de matriz africana do Rio Grande do Sul a obter o reconhecimento como Ponto de Cultura.

Data:18/mar/2014, 8h13min

Pontos de Cultura atendem a um direito básico do cidadão, como a saúde e a escola

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A tribo Oi Nóis Aqui Traveiz é  um dos grupos que integram os Pontos de Cultura e são beneficiados pelo governo do Estado | Foto: Pedro Isaías Lucas

A tribo Oi Nóis Aqui Traveiz é um dos grupos que integram os Pontos de Cultura e são beneficiados pelo governo do Estado | Foto: Pedro Isaías Lucas

Adélia Porto Silva

Eles têm poucos recursos, pouca visibilidade e quase nenhum apoio, mas desempenham um trabalho persistente, importante e corajoso. São grupos de cidadãos que militam em atividades culturais como música, dança, teatro, mas também em ações de educação ou de economia solidária. Compõem uma rede informal de rica diversidade cultural e são fortemente vinculados às comunidades a que pertencem. Desde 2012, esses grupos culturais estão podendo receber apoio financeiro e acompanhamento técnico por parte do governo estadual, em convênio com o governo federal, através do Programa Rede RS de Pontos de Cultura.

Na segunda semana de fevereiro, por exemplo, 43 representantes de grupos participaram na Casa de Cultura Mario Quintana de um curso de formação em gestão cultural, promovido pela Secretaria de Cultura. O curso, que tem um módulo presencial de três dias e outro à distância, com duração de dois meses, trata de temas como economia da cultura, planejamento e gestão cultural, prestação de contas e aspectos jurídicos. O objetivo, diz o diretor de Cidadania e Diversidade Cultural, da Secretaria de Cultura, João Pontes, é ajudar a instrumentalizar os grupos para o gerenciamento, geração de recursos, busca de novos caminhos e oportunidades. “É a sociedade que produz cultura”, diz Pontes. “O Estado oferece apoio”.

Na segunda semana de fevereiro,  43 representantes de grupos participaram na Casa de Cultura Mario Quintana de um curso de formação em gestão cultural | Foto: Sedac / Divulgação

Na segunda semana de fevereiro, 43 representantes de grupos participaram na Casa de Cultura Mario Quintana de um curso de formação em gestão cultural | Foto: Sedac / Divulgação

O programa Pontos de Cultura nasceu como política de base do Cultura Viva, do Ministério da Cultura, em 2004, na gestão de Gilberto Gil, para reconhecer, apoiar e articular projetos culturais já existentes nas comunidades. Alguns municípios gaúchos chegaram a fazer convênios isoladamente com o governo federal, dentro do programa – cerca de 40. Mas em 2012, o governo do Estado assinou com o MinC um convênio pelo qual ambas as esferas passam a atuar em conjunto, oferecendo fomento financeiro e apoio aos grupos, selecionados em editais. O governo federal participa com 80% dos recursos e o Estado, com 20%, num total de 18 milhões para 160 grupos selecionados. Projetos de municípios com até 10 mil habitantes recebem 60 mil reais em parcelas durante três anos. Os de cidades com mais de 10 mil habitantes recebem 180 mil reais por igual período de tempo. Os recursos se destinam em parte à aquisição de equipamentos e o restante, ao custeio. Um primeiro edital selecionou 82 grupos culturais em todo o RS. Outro edital, em fevereiro passado, previu a seleção de 78 novos grupos. Ao ter seu projeto de trabalho escolhido, o grupo é reconhecido pelo programa como Ponto Cultural, um reconhecimento que funciona como qualificação. O Rio Grande do Sul foi um dos últimos estados, junto com o Paraná, a aderir ao programa federal.

Desenvolvimento e cidadania

O programa deixa de considerar a cultura como bem periférico para as pessoas e passa a tratá-la como parte integrante da vida da comunidade. “A cultura está na pauta do desenvolvimento do Estado”, argumenta João Pontes, da Sedac. “A ideia é que a cultura gera renda, emprega pessoas, movimenta a economia de diferentes formas e contribui para a inclusão social”. Dados de pesquisa mostram que 7% da economia brasileira são vinculados à cultura, o que acompanha a média mundial.

João Pontes: “A cultura está na pauta do desenvolvimento do Estado” | Foto: Divulgação

João Pontes: “A cultura está na pauta do desenvolvimento do Estado” | Foto: Divulgação

Os grupos que estão tendo sua importância reconhecida são, diz João Pontes, “historicamente excluídos de tudo – das políticas públicas, do financiamento e dos meios de comunicação privados”. A grande indústria cultural os relega a uma condição de invisibilidade. A nova visão sobre a questão pretende compreender os direitos culturais como prevê a Constituição: bens e serviços culturais são direitos sociais básicos. “Os Pontos de Cultura dentro dos sistemas estadual e federal cumprem o mesmo papel que o posto de saúde e a escola”, diz Pontes.

Para o coordenador do projeto na Secretaria da Cultura, Ricardo Oliveira, “o Estado não tem a capacidade nem a atribuição de fazer cultura. Quem faz cultura são o cidadão e as comunidades. Cabe ao Estado a ação política para estimular a cidadania cultural”. Oliveira considera que o saldo mais importante dessa política é a articulação em rede e a possibilidade dos grupos se encontrarem, trocarem informações e experiências, verem a si mesmos, ganhando autonomia e reconhecimento. A distribuição dos Pontos de Cultura leva em conta a divisão territorial: cada uma das nove regiões funcionais do Estado tem um Ponto de Cultura. Existe também a preocupação de reconhecer como Ponto grupos estabelecidos nos Territórios da Paz, onde o governo procura atuar na área de segurança melhorando os serviços públicos e a qualidade de vida da população.

A noção de cultura merece um tratamento específico. Ela não se limita às manifestações artísticas. “Hoje se avança na construção de uma base teórica e conceitual da cultura”, diz Ricardo Oliveira. Na conceituação ampliada, a cultura perpassa questões de saúde, de economia solidária ou movimentos sociais e campesinos. Ou, segundo o próprio Gilberto Gil, “todo trabalho humano é para a cultura e pela cultura. A senhora que vai à missa, a outra que vai ao terreiro de candomblé, outro que vai ao futebol, outro que vai namorar, tudo isso é cultura”. A diversidade está representada nos projetos selecionados, que tanto podem ser grupos de tradição afro, quilombolas, indígenas, de economia popular solidária, meio ambiente, agricultura familiar, cultura digital, educação, música, dança, teatro. A exigência é que tenham o reconhecimento da comunidade.

Ilê Axé Cultural: em Guaíba, o resgate da tradição afro

Fica em Guaíba a primeira casa de matriz africana do Rio Grande do Sul a obter o reconhecimento como Ponto de Cultura. O convênio que cria o Ponto de Cultura Ilê Axé Cultural foi assinado recentemente e a responsável pela casa, Carmem Lucia de Oliveira – Mãe Carmem de Oxalá, comemora: “Se chegamos até aqui sem recursos, a partir de agora nosso trabalho vai aparecer mais ainda”. A casa existe desde 1943 e tem uma longa tradição de serviço e de agregação social na comunidade do Jardim Santa Rita, em Guaíba. Mãe Carmem é sucessora de sua mãe e a casa sempre foi regida pela força feminina, tanto no campo espiritual quanto social. “Em pequena, via minha mãe receber e orientar muitas pessoas, principalmente mulheres”, conta, lembrando a atuação de guia solidária que a mãe desempenhava.

Mãe Carmem: “Nosso trabalho é ajudar a tornar digna a vida das pessoas” | Foto: Sedac / Divulgação

Mãe Carmem: “Nosso trabalho é ajudar a tornar digna a vida das pessoas” | Foto: Sedac / Divulgação

“Nosso trabalho é ajudar a tornar digna a vida das pessoas”, diz. Além de preservar e valorizar a cultura afro, devolvendo identidade e orgulho às pessoas, a casa oferece à comunidade oficinas e atividades práticas de aprendizado e de trabalho. Por iniciativa da Ilê Axè Cultural, foram identificadas e preservadas duas áreas na cidade – a Pedra de Xangô e a Gruta de Oxum, ambas na praia da Alegria – , espaços outrora habitados por negros escravizados. “Nossas atividades culturais desembocam nesses espaços”, diz ela. A casa dispõe de um telecentro aberto à comunidade. Com 11 máquinas, não dá para atender todos ao mesmo tempo, por isso existe um horário de uso. Quando o jovem deixa o computador para ceder o espaço a outro, vai para uma “roda de conversa”, que tem a coordenação de alguém do grupo, onde tem oportunidade de falar sobre temas de sua realidade e onde a questão da identidade é um dos assuntos que mais aparecem.

O projeto selecionado pelo programa é composto por três eixos: culturas populares – oficinas de capoeira, ritmos e danças; grupos étnicos culturais – resgate cultural, popularização das festas, exposições; e incubadora cultural, onde os jovens têm acesso a equipamentos como instrumentos musicais, máquinas fotográficas, filmadoras e equipamentos de som, oferecendo a possibilidade de projetarem o futuro. Uma das primeiras aquisições que a casa fará com os recursos repassados pelo projeto será aparelhos de ar condicionado que vão melhorar o conforto dos usuários no telecentro.

Com os recursos da Rede RS Pontos de Cultura, a tribo Oi Nóis Aqui Traveiz vai investir nas oficinas que oferece em alguns bairros de Porto Alegre | Foto: Pedro Isaías Lucas

Com os recursos da Rede RS Pontos de Cultura, a tribo Oi Nóis Aqui Traveiz vai investir nas oficinas que oferece em alguns bairros de Porto Alegre | Foto: Pedro Isaías Lucas

A história heroica do Ói Nóis Aqui Traveiz

Com uma história heroica de 35 anos, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz é um dos projetos reconhecidos pelo Rede RS Pontos de Cultura. Obter patrocínios não tem sido frequente na vida deste grupo que optou por subverter a estética e a experimentação teatral com base no teatro revolucionário e no pensamento do francês Antonin Artaud, ligado à arte surrealista e ao movimento anarquista. “O grupo tem desenvolvido ao longo do tempo diversas formas de sustentabilidade”, diz Marta Haas, que trabalha com a tribo desde 99, primeiro como aluna de uma das oficinas e agora dando aulas de iniciação teatral. Só depois de 28 anos de atuação, o grupo obteve um patrocínio – da Petrobras – que se manteve até o final do ano passado, custeando muitas das despesas. As pessoas mantêm atividades paralelas e não dependem financeiramente do trabalho que fazem no grupo. “Os recursos que virão agora vão garantir a continuidade de algumas oficinas em bairros”, diz Marta. Possibilitarão também qualificar o equipamento audiovisual do grupo. Ela acredita que, por ter sido reconhecido como Ponto de Cultura, Ói Nóis Aqui Traveiz terá mais facilidade em atuar em rede com outros grupos e com outros Pontos de Cultura.

O grupo teve como sede durante muitos anos a Terreira da Tribo, em mais de um endereço, na Cidade Baixa. Desde 2000, ocupa um espaço no bairro Navegante, onde funciona como Escola de Teatro Popular. Toda a organização do grupo é coletiva, desde a criação e montagem dos espetáculos à manutenção do espaço. As oficinas de formação de atores, uma das vertentes do trabalho do grupo, são gratuitas, em seis bairros da cidade.

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